Um bairro em busca de identidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Ruas em que existem mais buracos do que asfalto contrastam com ruas de pavimentação ''zero quilômetro''. Casas com muros altos e cercas elétricas ao lado de residências simples, sem muros ou grades. Assim é o Jardim Columbia (Zona Oeste). Localizado entre os fundos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Rodovia Celso Garcia Cid (PR 445) e o Ribeirão Esperança, o bairro tem o formato de um triângulo e diversas particularidades.
Dividido em A,B e C e com aproximadamente 40 ruas, o Columbia é fruto de um loteamento de uma área de terra que pertencia a uma família tradicional de Londrina. A história do bairro ninguém sabe contar com absoluta certeza. De concreto mesmo, só o que é relatado pelos moradores mais antigos.
Caminhando por lá e ouvindo um depoimento daqui e outro dali, é possível chegar à conclusão de que o número de habitantes do bairro cresceu bem devagar, o que manteve a característica bucólica do local. Hoje, a cidade chegou àquela região, mesmo assim o Columbia ainda tem diversos lotes vazios e carece de muita coisa, desde escola e posto de saúde até estabelecimentos comerciais.
Uma das pioneiras do bairro é a artesã Vanda Maria Teixeira, que já mora por lá há 14 anos. ''Quando cheguei era a única moradora da minha rua'', relembra Vanda, que atualmente é a presidente da Associação de Mulheres Batalhadoras do Jardim Columbia e lamenta o fato do bairro não ter um espaço público para servir como centro social. ''Ministro aulas gratuitas de artesanato e pintura para as nossas mulheres, mas tenho que usar a garagem da minha casa como sala de aula''.
No entanto, o que mais chama a atenção no Jardim Columbia é a precária conservação da pavimentação de diversas ruas. O asfalto feito quando o bairro foi loteado, há quase duas décadas, está virando pó. Enquanto isso, outras ruas que não eram pavimentadas - na época do loteamento nem todas receberam asfalto - estão com as obras a todo vapor e logo terão ''piso novo''. Para os moradores das ''ruas de asfalto velho'' a notícia não é das melhores. De acordo com o secretário de Obras, Aloísio Crescentini Freitas, não há dotação orçamentária para fazer o recapeamento.
Essa situação incomoda a enfermeira Vali Wolenberg, que já mora no Columbia há oito anos. Quando ela comprou o lote e realizou o sonho de construir sua casa própria, tinha asfalto ''lisinho'' em frente de casa, o que é comprovado pela foto daquela época que ela fez questão de mostrar à reportagem. ''Paguei por um lote com asfalto e hoje sofro com a poeira. Faltou conservação. O que me revolta é que nunca deixei de pagar nenhum imposto''.
Para o aposentado Abacuque Paulo de Oliveira, 80 anos de idade e 13 de bairro, o motivo de descontentamento é outro. Ele está vendendo a casa que construiu com suas próprias mãos e quer morar em um lugar melhor estruturado. ''Aqui falta tudo. Não tem farmácia, mercado, padaria. Toda vez que preciso de médico tenho que andar muito ou pegar um ônibus. Não aguento mais. Vou voltar para Londrina''.


