No auge da exploração do café, no início da década de 70, foi fundado, na zona leste de Londrina, o Instituto Brasileiro do Café (IBC). O prédio uma obra impressionante pelo tamanho e luxo e seus armazéns viraram o coração da comercialização do produto no sul do País. A febre do café durou até o início da década de 90, mas deixou como herança a urbanização da região. O Conjunto Vitória Régia, primeiro a ser construído pela Companhia de Habitação (Cohab) surgiu nessa vizinhança e hoje, mais de 30 anos após a fundação, ainda mantém o perfil de bairro tranquilo onde muitos vizinhos ainda se conhecem pelo nome e a violência, problema frequente nos conjuntos mais recentes, passa longe.
Ruas estreitas separam as 132 casas e muitas pracinhas pontuadas por bancos e árvores fazem parte da paisagem do bairro. ''Acho que agora está melhor, antes não tinha asfalto, ônibus era difícil e para instalar telefone tivemos que pagar para trazer a linha da Avenida do Café'', afirma a aposentada Diná Araújo Mendes, 66 anos. Ela é uma das primeiras moradoras e lembra bem a época que o bairro era cercado de chácaras e plantações de café.
Seu Joaquim José Menezes, 68 anos e também um dos fundadores, considera-se um sortudo. ''Na época ninguém queria morar em casa popular, mas hoje não pago aluguel e ainda fomos privilegiados com esgoto, acho que fomos o primeiro conjunto de Londrina a ter rede'', afirma.
Além da rede de esgoto e do asfalto, que veio logo depois dos moradores, o tamanho dos terrenos é outro diferencial do conjunto em relação aos empreendimentos mais recentes. ''Minha casa (depois de reformada) tem 105 metros quadrados, não dá para reclamar'', afirma dona Diná.
Para alguns moradores, o bairro chega a ser mais tranquilo hoje que na época de ouro do café quando os dois armazéns, ainda ativos atualmente, estocavam quase toda a produção da região. ''Em volta daqui só tinha arranha-gato e cafezal mas era um movimento danado'', recorda-se o agente de atividades de café, Edson Teodoro da Silva, 64 anos.
Há 15 anos morando no bairro e uma vida inteira lidando com café, seu Edson é saudosista. ''Dá saudade daquela época, tinha bastante trabalho e movimento. Eram ensacadores, secadores e até os sorveteiros e vendedores de tanta coisa que apareciam por aqui; agora do café só sobrou o cheiro'', brinca.
Segundo ele, apesar de sossegado, o bairro já começa a apresentar os problemas comuns de Londrina. ''Estão surgindo uns roubos aqui e ali, mas ainda é bem melhor que nos outros lugares que a gente ouve falar'', ressalva, acreditando que a proximidade com a Justiça Federal, instalada no antigo IBC, traz mais segurança ao bairro.

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