Os lotes vazios, as casas em construção - algumas ainda aguardando o acabamento nas paredes - e as árvores recém-plantadas revelam que o bairro da Zona Leste de Londrina é novo. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim Vila Romana, Valdeildo de Souza, o loteamento existe há sete anos, porém o processo de ocupação aconteceu de forma bem mais rápida do que o esperado. Segundo ele, o bairro abriga hoje aproximadamente mil famílias, em um espaço equivalente a 960 datas, atrás da Avenida das Maritacas.
Souza aponta como um dos principais pontos de encontro no bairro a Praça da Paróquia Sagrado Coração, construída há pouco mais dois anos pela comunidade católica, e instalada em um terreno que serve também de campinho de futebol, área de lazer para as crianças e onde são realizadas algumas atividades ligadas às pastorais da igreja. ''Temos ainda outras duas praças, onde futuramente serão construídos um campo de futebol e um centro comunitário.'' Além da paróquia, há comunidades evangélicas no bairro, entre elas um templo da Igreja Luterana e a Casa de Oração Pentecostal.
Segundo o mecânico David Gonçalvez Pereira, que reside no Vila Romana desde 1998 e afirma ser o oitavo morador a chegar ao bairro, o local é tranquilo, quase sem violência. ''Quando comprei o terreno aqui era só roça. E agora quase 80% da área já estão ocupados'', relembra. ''Mas a Vila Romana continua sendo um lugar residencial, a maioria das casas não tem muros altos e à tarde ficam só as mulheres e as crianças em casa'', avalia.
Na visão de um dos mais antigos moradores, a comunidade do bairro é formada por pessoas que estavam fugindo do aluguel. ''Vieram aqui os trabalhadores que conseguiram comprar um terreno parcelado em 100 vezes e foram, na medida do possível, construindo suas casinhas''.
Já para Maria José Ferreira, que mora no local desde dezembro de 2000, o melhor do bairro é poder conhecer quase todos os moradores pelo nome e ter amizade com grande parte dos vizinhos. ''Quando cheguei, a minha casa era praticamente a única da rua. Hoje, não encontramos mais terrenos para vender em parcelas, muita gente veio para cá. Eu gosto de morar aqui porque é sossegado e quase não ouvimos histórias de assaltos'', conta.
Ranieri Ferreira, que é filho de Maria José, conta que depois de casado resolveu continuar morando no bairro, a duas quadras da casa de seus pais. ''Mudei para cá com meus pais e acabei ficando depois de casado. É um sinal de que o bairro é bom mesmo'', avalia.
A união da comunidade e a amizade entre os vizinhos também foram pontos positivos lembrados pelo ajudante de motorista e açougueiro Ronaldo Vilela Albertin. Mesmo pagando aluguel, ele afirma que gosta de morar por ali. ''Temos tudo aqui perto: escola, creche, posto de saúde e o comércio local'', diz.

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