A beleza exuberante dos morros de Mata Atlântica, que cercam a comunidade de Rasgadinho, escondem dois mistérios: o assassinato de um pistoleiro, conhecido por Joacir, e o desaparecimento do agricultor José Soares. A princípio, os dois casos não têm relação, mas servem para demonstrar o clima de tensão que permanece na região, desde que o fazendeiro Sérgio Cavalcanti resolveu estender os domínios de sua fazenda.
Joacir era tido pelos agricultores como o principal capanga de Cavalcanti. Bebia muito, dava tiros a esmo, é acusado de arrombamento, depredação e até roubo a merenda da escola municipal da vila.
Para exibir seu poderio de fogo e espalhar o medo entre os moradores, Joacir circulava pela comunidade com um revólver calibre 38 preso à cintura. Por orientação do fazendeiro, o jagunço iria morar na vila e ergueu uma casa de alvenaria. A construção estava quase pronta, mas um tiro de espingarda não permitir que o capanga vivesse para morar nela.
A emboscada aconteceu no dia 18 de outubro, numa pinguela sobre o rio Canasvieiras, em Rasgadinho. Joacir foi baleado e morreu no local. Na localidade impera o silêncio. Todos dizem não saber quem matou o capanga e quais foram as causas do homicídio.
Depois da morte, os outros dois ‘‘seguranças’’ da Fazenda Estrela, que acompanhavam Joacir e também andavam armados, pararam de promover as intimidações, segundo os moradores. Isso até a semana passada, quando a calma foi quebrada. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, os capangas teriam voltado a destruir as lavouras dos posseiros.
O sumiço do agricultor José Soares também é mistério no vilarejo. No começo de outubro, ele saiu de casa para cortar taquaras nos matagais de Rasgadinho. Uma das hipóteses é a de que ele tenha se perdido no mato e morrido de fome e sede. Outra é de que tenha sido morto pelos jagunços. Bombeiros e voluntários promoveram 14 dias de buscas. Até hoje, nenhum vestígio de José foi encontrado.

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