Um apresentador sob ameaça
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Ele já foi policial militar, deixou a farda para construir uma sólida carreira no rádio e na TV - tem programas de grande audiência nas seis horas diárias que fica no ar - e agora é um acadêmico do curso de Direito. Tempo é trabalho para o apresentador Carlos Camargo, ainda que seu ofício traga riscos até mesmo à vida. Com tranquilidade, ele admite que mudou sua rotina em função das ameaças que recebe, quase diárias. As últimas, revela, teriam relação com a ação da Polícia Civil contra um cartel de donos de postos de combustíveis que estaria agindo em Londrina. Apesar da popularidade, Camargo avisa que, por enquanto, não é candidato a nada.
Nas últimas duas décadas, o comunicador vive uma rotina inteiramente relacionada com segurança pública e criminalidade, temas abordados em praticamente todos os seus programas. Por isso, tem convicção de que insegurança se combate com mais policiais nas ruas. Leia os principais trechos da entrevista que ele concedeu à FOLHA.
FOLHA - Você é ex-policial, apresenta programas policiais e está no primeiro ano da faculdade de Direito. Qual a análise que você faz sobre esta nova estratégia da Secretaria de Estado de Segurança Pública de investir em grandes operações com a Polícia Militar?
Carlos Camargo - A situação de insegurança em Londrina se dava exatamente por causa da falta de policiamento nas ruas. Cansei de falar isso no ar e inclusive o secretário (de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari), quando veio para falar sobre a ação contra o cartel dos combustíveis, citou: ''Como diz um apresentador de TV, é a polícia na rua''. É a frase que uso sempre. O que não se pode admitir é que pessoas ligadas à segurança pública tentem camuflar essa situação dizendo que não é falta de polícia na rua. Agora, os índices (de crimes) baixaram.
Folha - Mas a Polícia Civil continua muito defasada em relação à Polícia Militar?
Camargo - A Polícia Civil não tem investimentos em pessoal há muitos anos. A gente chega da delegacia e vê o delegado Manoel Pelisson, por exemplo, que tem uma rede de informações até bonita de ver, sem gente para investigar.
Folha - Você recebe muita informação no seu programa?
Camargo - A gente ajuda muito a polícia. Esse homem do golpe do sonífero por exemplo, colocamos ele no ar e 20 pessoas o reconheceram.
Folha - E sofre muitas ameaças por causa disso?
Camargo - Nunca andei com segurança mas tomo minhas precauções. Antigamente, ia em muitos lugares e hoje não posso mais, porque tem frequência de pessoas que não conheço. Você restringe sua liberdade em virtude de ser apresentador de programa policial. Há também ameaças como, agora, do cartel dos combustíveis. Um sujeito me disse que vai requisitar as fitas, que vai me processar se eu não calar a boca. O que faço é colocar no ar as informações que surgem. É um direito que tenho. Recebo ameaças de vários bandidos, inclusive desses do cartel.
Folha - Para ser líder de audiência tem que trabalhar muito. Quantas horas você fica no ar?
Camargo - Fico das 5h30 às 7 horas na Rádio Paiquerê AM. Volto das 9 às 11h30. Vou para a TV Tarobá das 12 horas às 12h30 e das 13h às 14h05. À noite, fico no ar na TV das 18h30 às 19 horas. Fico seis horas no ar, sempre liderando, segundo as últimas pesquisas.
Folha - Como você recebe as críticas de que programas policiais, como os seus, são sensacionalistas e exploram a desgraça alheia?
Camargo - Se falam de mim é porque me assistem. Não se agrada a gregos e troianos. Quando são construtivas, são muito bem vindas. Só não dou muito crédito para aquele tipo de pessoa que fala que não assiste programa policial.
Folha - E com toda essa popularidade, quais são suas pretensões políticas?
Camargo - Aproveita para colocar no jornal: não sou candidato a nada nas próximas eleições. Não vou falar que dessa água não beberei. Já me tentaram em outras oportunidades. Fui convidado para ser vice-prefeito, para sair para deputado, mas não quis.


