Um apelo no rádio. E Vilma encontra a mãe após 28 anos
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sábado, 31 de maio de 1997
Célia Baroni 
Warren NabucoFinal felizVilma abraça a mãe Jani: Só quando a gente se torna mãe é que entende a força desse sentimento Estava tudo pronto: roupa nova, casa arrumada, almoço especial. Recepção organizada nos mínimos detalhes. Fora do lugar, apenas a angústia de contar as últimas horas para o reencontro. Após 28 anos de separação, Vilma Barbara da Silva, 30 anos, costureira, casada, reencontrou na quinta-feira, dia de Corpus Christi, sua mãe, Jani Celeste Rodrigues Barbara.
Vânia não conseguiu dormir direito. O ônibus de Campinas-SP ia chegar às 6 da manhã, mas ela tirou os dois filhos e o marido da cama para chegar mais cedo à Rodoviária. Não tinha sequer uma fotografia e ainda não sabia como faria para reconhecer a mãe. Tive medo de não conseguir vê-la e acabar perdendo a oportunidade. Mas no final tudo deu certo, conta Vilma. Quando o grupo - formado pela mãe, duas irmãs, sobrinhos e os avós maternos - desceu do ônibus as dúvidas se dissiparam. Ficou apenas a certeza da alegria.
Vilma foi separada da mãe quando não tinha completado dois anos de idade. Sua família - o pai, a mãe grávida e uma irmã de 11 meses - morava em uma fazenda em Igaraçu quando seus pais se separaram. O pai (José Vicente) acabou ficando com Vilma, deixando Jani com a filha do meio, Dalva, e o futuro bebê, Maria da Glória.
Vilma foi criada pela avó paterna e, até antes do seu casamento, há 15 anos, acreditava que havia sido abandonada pela mãe. Só descobri a verdade pouco antes de me casar. Na época tentei trazê-la para a cerimônia, mas não consegui encontrá-la, relembra Vilma. Conversas de parentes e amigos davam conta de que Jani morava em Campinas, mas Vilma diz que não sabia por onde começar a procurar. A gente era simples e não sabia como agir.
Ela não desistiu. A vontade de encontrar a mãe ganhou ainda mais força quando, mais de um ano depois, teve seu primeiro filho. Só quando a gente se torna mãe é que entende a força deste sentimento, comenta. O respeito à avó, que a criara como filha, e que sofria com o medo de perdê-la para a mãe, fez com que Vilma refreasse sua busca.
A possibilidade do encontro só se concretizou em março. Vizinhos e amigos de Vilma, que conheceram a sua angústia e desejo de encontrar a mãe, se mudaram para Campinas. Fizeram um chamado na rádio Central, que acabou sendo ouvido pela irmã de Jani. Ela avisou minha mãe, que veio me contar. Você não pode imaginar a alegria que senti. Apesar da fé em Deus eu acreditava que tinha perdido minha filha, diz Jani. Com o primeiro contato, começaram os preparativos para o reencontro, que só aconteceu agora.
Depois de muitos abraços e lágrimas, já na porta da casa de Vilma, no jardim Leonor (zona oeste), todos concordam: O que passou, passou. Colocando em dia os assuntos há tanto tempo atrasados, eles tentam recuperar as experiências não compartilhadas. Vilma só deixava Jani para dar atenção aos últimos preparativos do almoço. E entre brincadeiras com as irmãs - Dalva e Maria da Glória - ela deixava claro que, do dia do reencontro até a partida da mãe, neste domingo, ela é a filha mais importante e, por este período, a mãe é só dela.
Maria da Glória tentava convencer Dalva a abandonar o olhar de ciúmes dirigido a cada abraço entre a nova irmã e sua mãe. Mas ela fica pendurada o tempo todo, responde Dalva, oscilando entre o descontentamento e a brincadeira.
Todos riem da situação. E já fazem planos: A gente não vai mais se perder de vista, garante Jani. Em julho, Vilma vai para Campinas conhecer os outros parentes da mãe. Segundo elas, será apenas mais um dos muitos reencontros.


