''Mamãe, quando crescer vou ser outra Nina.'' Assim a pequena Maiara, de apenas 4 anos, tenta consolar Neide Ribeiro de Oliveira Lopes, 30, mãe da menina Luana Oliveira Lopes, que desapareceu um ano atrás em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina). Sem pistas sobre o paradeiro da menina, a família busca forças para continuar acreditando que Luana, apelidade de Nina pelos pais, esteja viva e seja encontrada.
Para superar a dor da ausência, Neide e o pai Sérgio Lopes, 30, contam com a solidariedade de familiares, amigos e da comunidade. Amanhã, uma passeata será realizada no centro de Florestópolis com o objetivo de evitar que o caso caia no esquecimento. De acordo com a conselheira tutelar Maria do Carmo Aguiar Casagrande, 38, conhecida na cidade como Carmem, a expectativa é reunir cerca de 1.500 participantes.
Apesar de não ter conhecido Luana, Carmen tem auxiliado a família desde o início. Segundo ela, a comunidade tem ajudado inclusive com doação de alimentos e roupas, já que o casal de lavradores sempre enfrentou dificuldades para sustentar Luana e os outros três filhos: Diego, 11, Daiane, 7, e Maiara. Além do sofrimento pela pobreza da família, a tristeza é outra marca visível no rosto de Neide. Inocentes, as crianças ainda divertem-se no pomar e em volta da casa, onde as brincadeiras preferidas como o pega-pega sempre contavam com a participação da irmã desaparecida.
''Quando os policiais vêm aqui, ainda fico com esperança. Mas quando fica muito tempo sem aparecer ninguém, a gente desanima'', lamenta Neide. Para a mãe, a tristeza aumenta à medida em que surgem as lembranças da filha. Para Luana, a mãe reserva apenas elogios. ''Ela já estava aprendendo a cozinhar e cuidava dos irmãos. Dois dias antes (do sequestro), ela acordou de madrugada, antes de mim, e estava limpando a casa, sem a gente pedir'', recorda. Segundo ela, a última visita dos policiais do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), responsável pelo caso, foi duas semanas atrás.
O irmão Diego, que foi espancado pelo suposto sequestrador e abandonado numa estrada próxima, pouco lembra do fatídico dia para fornecer possíveis pistas aos investigadores. Após ver diversas fotografias de caminhões dos arquivos policiais, a única dica que o menino conseguiu passar foi a cor do veículo: azul com baú branco. Confuso, ele tem dificuldades para reconhecer a fisionomia do sequestrador.
''Como ele não sabia ler nada, ficou mais difícil para ele ajudar'', constata Carmem. Atualmente, Diego tem frequentado a escola em Prado Ferreira mas, segundo a mãe, já teria reprovado a primeira série. Apesar do trauma, o menino, que passou até por sessão de hipnose na tentativa de lembrar de detalhes do dia, não tem ao menos acompanhamento psicólogico. Para Carmem, diferente da solidariedade da comunidade, falta apoio do Poder Público.
O investigador João Moretti, da Delegacia de Porecatu, acompanhou o caso desde o início. ''Fizemos tod o possível para tentar elucidar o caso'', salienta. O prazo do inquérito tem sido prorrogado diversas vezes a pedido do Sicride, cuja sede é em Curitiba, com o intuito de evitar a prescrição do crime. Nos últimos materiais com fotos divulgados pelo órgão, o retrato de Luana está na lista de vinte crianças desaparecidas no Paraná. Apesar da mobilização, a mãe mostra-se extremamente triste e desanimada com as perspectivas de solução do crime. ''As crianças ainda hoje encontram um brinquedo e dizem que vão guardar para quando a Luana voltar. É uma situação complicada'', resigna-se.

Para entender o caso
A menina Luana Oliveira Lopes, então com 8 anos, foi sequestrada no dia 16 de novembro do ano passado. Acompanhada do irmão Diego, 10, é abordada pelo motorista de caminhão-baú azul escuro de pequeno porte, que oferece cobertores. Ao entrarem no baú, os irmãos são aprisionados e o veículo segue no sentido a Rolândia.
Quilômetros depois, o motorista leva a menina para a cabine. O menino grita por socorro. Incomodado, o motorista pára o veículo e, ao abrir a porta do baú, o menino foge. O sequestrador corre atrás de Diego com uma faca.
O sequestrador persegue Diego pelo matagal e perde a faca. Ao alcançar Diego, espanca-o e tenta esganá-lo. Acreditando ter matado o garoto, foge. Horas depois, Diego acorda e vai até a rodovia, onde é socorrido.(F.R.F.)

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