Um a cada dez adultos tem doença renal
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quarta-feira, 11 de março de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Londrina - A chegada da doença renal crônica na vida do empresário José Antônio Zago, de 67 anos, foi silenciosa. Morador de Jaguapitã (Região Metropolitana de Londrina), ele descobriu o problema ao fazer exame de próstata. Na época, o paciente cuidava pouco da alimentação e tinha níveis de potássio alarmantes no sangue. O histórico dele contabilizava ainda hipertensão e um derrame. "E nunca senti dor alguma nos rins", contou. Passado o susto inicial, Zago começou o tratamento, já com hemodiálise. Hoje, cinco anos após o diagnóstico, tenta levar uma vida normal, entre as sessões de diálise que precisa fazer em Londrina, a 70 km da cidade onde vive.
A história do jaguapitanense é semelhante a de muitos pacientes de doença crônica renal. Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), 10% da população mundial adulta são portadores da enfermidade. Pelo menos metade destes doentes renais sequer faz ideia de sua condição. Os números servem de alerta no Dia Mundial do Rim, comemorado nesta quinta-feira uma data em que ações de prevenção são intensificadas em mais de 150 países.
Embora doenças nos rins possam afetar pessoas de todas as idades, médicos apontam que há um grupo de risco composto por diabéticos, hipertensos, idosos, obesos, fumantes e pessoas com histórico de problemas no aparelho circulatório, como doença coronariana, derrame e insuficiência cardíaca. Doença crônica renal na família e uso excessivo de medicamentos, em especial os anti-inflamatórios, também são fatores que demandam cuidados especiais. "No Brasil, a primeira causa de perda de rim é a hipertensão. É preciso estar atento. Depois dos 40 anos de idade, o indivíduo perde 1% dos rins por ano", observa o nefrologista Eloir Biz, da organização social Pró-Vida Renal, de Londrina.
Ele explica que a prevenção pode começar ainda nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com o acompanhamento de doenças preexistentes e exames de creatinina e urina 1. "São exames simples, que custam menos de R$ 3. A pessoa tem que perguntar sobre isso ao médico se ele não prescrever", pontua Biz. A partir do diagnóstico de perda da função renal, é necessário fazer uma terapia renal substitutiva, seja através de hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante.
Nos atendimentos feitos em Londrina, 80% dos pacientes chegam demandando hemodiálise. "A pessoa não vai sentir dor nos rins quando há doença renal crônica, só em casos de cálculo", alerta o médico. Apesar de disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as sessões de hemodiálise impactam na vida dos pacientes. Em geral, o procedimento dura quatro horas e precisa ser feito três vezes por semana. "O paciente não consegue trabalhar, porque não consegue ficar se ausentando. A doença abala a estrutura familiar e social", completa Biz.
Em contrapartida, os transplantes de rim nem sempre são possíveis. Em Londrina, de 500 pessoas em hemodiálise nos centros de nefrologia da cidade, só três conseguiram receber um rim novo neste ano. Em 2014, foram 15.
O transplante representa uma solução terapêutica para o problema de saúde, mas depende da disponibilidade de doador compatível, como encontrou a servidora pública estadual Adriana Projeti, de 45 anos. Portadora de doença renal desde os 26, ela passou pelo transplante em 2003. A doadora foi a irmã dela. Até a cirurgia, no entanto, foram centenas de sessões de hemodiálise, o que deixava Adriana cansada e sem poder trabalhar. "Depois do transplante, minha vida mudou muito, até na maneira de ver as coisas no dia a dia", definiu Adriana, que pôde voltar ao trabalho após a cirurgia.


