Ultrapassando fronteiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Fernanda Carreira <br>Reportagem Local 
Nem mesmo as fronteiras territoriais são o limite para quem sente no coração o desejo de ajudar outras pessoas. Esta é a mensagem que fica quando se acompanha o trabalho voluntário realizado há mais 15 anos por um grupo de alemães, na Escola Oficina Pestalozzi, localizado no Jardim Franciscato (Zona Sul de Londrina). Para agradecer a iniciativa e retribuir um pouco do carinho, cerca de 100 alunos da instituição participaram ontem de uma homenagem ao grupo.
Ao som de ''Aquarela'' e várias outras canções brasileiras e alemãs, as crianças cantaram, dançaram e emocionaram o grupo e o jogador de futebol Élber Giovane, que nasceu no bairro e morou por cerca de dois anos na Alemanha, quando teve a oportunidade de entrar em contato com os voluntários e pedir o apoio do grupo para a fundar o espaço.
''Quero que outras crianças tenham a possibilidade de fazer o que gostam e de se desenvolver no que realmente têm talento, como eu tive e o apoio dos voluntários pode fazer toda diferença nesse sentido'', enfatizou o jogador.
A professora alemã Katarina Scrade, a única do grupo que fala português, contou que participa da ação desde o início das atividades. Ela disse que se sente gratificada por ver toda a estrutura e acompanhar aplicação dos recursos na entidade, que atende crianças em situação de vulnerabilidade social.
''Sabemos que se não fosse a escola muitas dessas crianças estariam nas ruas, aprendendo coisas erradas e aqui não'', afirmou Katarina. ''Eles têm ótimas refeições, fazem vários amigos, se divertem, aprendem informática, têm aula do conto, pintam, praticam esportes, enfim, têm à disposição uma ampla gama de atividades que, provavelmente, não teriam não fosse o trabalho da Pestalozzi.''
Ao lado do colega Lincon Gimenez, 8 anos, Natalia Teodoro, 9, se apresentou com trajes típicos ao som de uma música alemã. Ela confirmou o sucesso das atividades entre as crianças. ''Comecei este ano e estou gostando muito. Venho sempre à tarde, faço artesanato, participo das aulas de conto e de cidadania. É legal, porque a gente aprende muita coisa aqui.''
''Eu prefiro o futebol'', opina o aluno Keiston Michel dos Santos, 6, que também começou a participar das atividades da Escola Oficina Pestalozzi este ano. ''Quero ser jogador quando crescer, mas meus pais falam da importância de eu estudar pra chegar lá e aqui eu faço as duas coisas. Aprendo e me divirto.''
Atualmente, a Pestalozzi atende 160 crianças, de 6 a 12 anos, dos jardins União da Vitória, Perobal, Novo Perobal, Franciscato, Esperança e Tarobá, todos na Zona Sul. A escola funciona das 8 às 17 horas e oferece atividades com trabalhos manuais, aulas de leitura, cidadania, música, dança e esportes, além dos cursos profissionalizantes nas áreas de informática e de cuidador de idosos para jovens.
Segundo o presidente da entidade, José Cesário da Silva, 60% dos recursos para a manutenção da entidade são provenientes da prefeitura, os outros 40% são angariados pela atuação do voluntariado do grupo de alemães e de campanhas e promoções organizadas pela entidade. Cada aluno tem o custo de R$ 137. A grande maioria dos alunos é apadrinhada; para os outros a entidade ainda busca ajuda.
''Como as famílias não têm condições de ajudar, dependemos totalmente desse apoio financeiro dos padrinhos; toda ajuda é muito bem-vinda'', acrescentou Silva, informando que cada padrinho colabora com cerca de R$ 50 mensais.
Serviço - Para se tornar padrinho ou madrinha de um dos alunos, basta ligar diretamente na Escola Oficina Pestalozzi - (43) 3341-1695.


