A etnia dos xetás está acabando. Os únicos remanescentes desta comunidade indígena, identificada na década de 50 pelo etnólogo José Loureiro Fernandes, na região de Umuarama, não têm condições de se reproduzir. Os representantes desta raça foram sendo dizimados por doenças, restando somente seis pessoas no Paraná, de um total de 12, cadastradas pela Funai, em todo o Brasil.
Anualmente os xetás se reúnem em algum ponto do Estado para se rever e trocar histórias de suas famílias. Mesmo com os filhos mestiços (de índios de outras etnias e brancos), tentam manter as tradições e os costumes. Os remanescentes no Paraná são Haãn Xetá, que mora na reserva de Marreca dos Índios, em Guarapuava; Coen Xetá e Tucanambá José Paraná, que vivem na reserva Rio das Cobras, em Laranjeiras do Sul; Ticoén Xetá, que é policial militar e trabalha em Nova Tebas; Rondon Xetá, que é auxiliar de enfermagem na reserva de Marrecas; e Ticoen Xetá (homônimo) vive com a família na reserva São Jerônimo.
Os xetás costumam dar nomes de animais às crianças. Coen é conhecido pelo nome indígena de Naguacã (gato do mato); Tucanambá por Unguaka (arara vermelha) e Haãn é Querombê (cágado). Outro costume é o trabalho com a pedra lascada, a caça e a pesca, além da confecção de brincos e colares de pedras, dentes e ossos. Coén Xetá é o único que ainda usa brincos e colares.
Nestes quase 40 anos de convívio com o homem branco, eles não esqueceram a complexa (para nós) língua transmitida pelos seus pais. Os índios e atropólagos responsabilizam as companhias colonizadoras da região noroeste pelo extermínio dos xetás, com a tomada das terras e transferência para outras regiões. Morando na floresta na Serra dos Dourados, viviam ainda na idade da pedra quando foram localizados.

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