Silvana Leão
De Londrina
Ontem à noite aconteceu a formatura da última turma de magistério técnico do Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL), última escola pública da cidade que ainda mantinha o curso. O clima entre vários dos 270 formandos era de apreensão e dúvidas quanto ao futuro, já que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) determinou o fechamento de cursos técnicos pelo Estado e hoje, para lecionar, os novos professores devem ter graduação superior.
‘‘Várias alunas terminaram o curso por terminar ou porque têm vocação e gostam muito da profissão, pois agora só poderão dar aula se fizerem um curso como pedagogia’’, observa a formanda Rosinéia Justo Betetto, de 43 anos, considerada a ‘‘mãezona’’ de sua turma. Casada e com filhos adultos, Rosinéia não pretende lecionar, só fez magistério por gostar muito de crianças. Segundo ela, será difícil para muitas passar no vestibular, pois o magistério não dá base para isso, e pagar faculdade também é inviável para muitas.
A formanda conta que durante os quatro anos de curso as alunas conviveram com a expectativa da extinção ou não do curso. ‘‘A dúvida ficou o tempo todo no ar. A direção nunca nos procurou para dizer o que realmente ia acontecer.’’ Rosinéia Betetto só tem elogios para o magistério, que lhe surpreendeu pela abrangência e seriedade. ‘‘Não entendo por que está acabando, é uma perda enorme’’, lamenta.
Ela acredita que só o curso superior não prepara suficientemente o professor para a educação infantil. ‘‘O magistério trabalha até com a nossa sensibilidade’’, defende. Para Rosinéia, os alunos que terminaram o curso agora ainda deveriam ter o direito de atuar.
Outra formanda, Gisele Ricieri Souza, conta que no início pensava em fazer pedagogia, mas acabou desistindo da idéia por achar que o conteúdo seria muito repetitivo. Agora, ela pretende prestar vestibular para Artes Cênicas, já que seu sonho é continuar trabalhando com crianças. A exemplo de Rosinéia Betetto, Gisele Souza critica a desvalorização do magistério. ‘‘Sem faculdade, hoje a gente só consegue emprego de auxiliar.’’
A preocupação com o futuro da profissão também está presente entre os antigos profissionais. A professora Ione Nobre Bertolazo, formada em 1967, acha ‘‘uma judiação o curso terminar assim’’. Ela diz ver a decisão com apreensão porque teme que as faculdades não tenham como suprir as deficiências de professores de educação infantil e 1º e 2º graus, principalmente nas pequenas cidades do interior.
Ione Bertolazo lembra que na época de sua formatura o clima em torno da profissão era muito diferente. ‘‘Naquele tempo o professor era muito valorizado. Esta valorização foi se perdendo até chegar ao ponto do curso ser extinto.’’
Na semana passada, a Secretaria de Educação do Estado anunciou que o Paraná deverá sair na frente na normatização de cursos superiores para a formação de professores. Até o início de 2001, duas modalidades deverão entrar em funcionamento, em substituição ao magistério técnico: o normal superior, com duração de quatro anos, e o superior sequencial, que levará dois anos.
A diferença entre o normal superior e o curso de Pedagogia é que o primeiro terá a finalidade de formar professores e não especialistas em educação. Já o superior sequencial confere licenciatura curta. Ambos, porém, vão formar professores para o ensino fundamental.

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