A última greve do transporte coletivo de Londrina aconteceu em 1990 e durou dez dias. Foi deflagrada dia 30 de maio e se estendeu até 8 de junho, atingindo a totalidade da frota da TCGL, que na época detinha o monopólio do transporte de passageiros na cidade. As reindicações eram maiores que as de hoje e por isso não houve qualquer acordo entre trabalhadores e a diretoria da TCGL. Como na época a inflação era alta, os funcionários reivindicavam um reajuste de 166%, a título de reposição de perdas, mas a empresa só acenava com 30%, além do desconto dos dias parados.
Com o impasse, a greve se prolongou e as consequências foram se agravando dia após dia. Sem o transporte oficial, a solução adotada pela população foi utilizar kombis e ônibus alternativos, pagando o dobro do preço da tarifa normal. Porém, as lotações só atenderam 30% a 40% dos usuários. O comércio também se ressentiu da paralisação e as vendas nas lojas caíram 80%, segundo declaração dada na época pelo presidente da Acil, Alberto Rapcham.
Reuniões se repetiam na prefeitura e na Câmara de Vereadores e não se chegava a um consenso. Em uma delas, realizada no gabinete do então prefeito Antônio Belinati, os ânimos se acirraram e quase houve briga entre o dono da TCGL, Manoel Lopes, e o gerente das Lojas Riachuelo, Antônio Sampaio de Andrade, que reclamava da queda das vendas no comércio.
A greve só chegou ao final com a intervenção de Belinati, que decidiu majorar o preço da tarifa em 33%, o que permitiu à TCGL conceder à categoria um reajuste de 74,4%. Com isso, a população acabou pagando o prejuízo gerado pela greve. (J.K.)

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