‘É comum ver estudante de Kumon fazendo tarefa embaixo do guarda-sol, na praia’
Kazuhito Yamamoto, gerente do Instituto de Educação KumonCerca de 2 mil alunos de escolas estaduais de Londrina e região trocaram a diversão das férias pelas aulas de recuperação no Colégio Marcelino Champagnat, no centro da Cidade. São estudantes de 1º e 2º graus que reprovaram em uma ou duas disciplinas e agora têm a última chance de recuperar o ano e conseguir a aprovação. O projeto Estudos Complementares de Férias, da Secretaria Estadual de Educação, tem o objetivo de conter a repetência e, principalmente, a evasão escolar. ‘‘Com a reprovação constante, muitos alunos acabam desistindo de estudar’’, justifica a coordenadora do projeto em Londrina e diretora do Centro de Estudos Supletivos (CES), Maria da Graça Cardoso Marconi.
Vale lembrar que a recuperação envolve apenas as matérias de conteúdo geral - as disciplinas profissionalizantes ficaram fora do esquema. De 96 para 97, o Governo do Estado amargou um índice de 17% de repetência no 1º grau. No 2º grau a média de reprovação ficou em 10% - 12,3% na educação geral e 8,9% nos cursos profissionalizantes.
‘Com a reprovação constante, muitos alunos acabam desistindo de estudar’
Maria da Graça Marconi, coordenadora do projeto Estudos Complementares
As aulas começaram no dia 7 de janeiro e terminam em 7 de fevereiro. O projeto abrange 64 cidades em todo o Paraná. Segundo a coordenadora de ensino à distância do Departamento de Educação de Jovens e Adultos (órgão vinculado à Secretaria Estadual de Educação), Adalnice Passos Lima, só as escolas que tiveram no mínimo 30 estudantes reprovados na mesma matéria contam com o serviço. No caso de número inferior, os estudantes devem se deslocar para o município mais próximo que conta com o serviço.
Adalnice Lima não tem o número exato de alunos que participam da reforma especial de férias. Ela explica que o Estado recebeu 35 mil inscrições e lembra que cada estudante pode se inscrever em até duas matérias. O número certo de participantes será conhecido apenas no final do projeto, em fevereiro.
É a primeira vez que o Estado oferece este serviço - no ano passado um projeto-piloto foi realizado no Colégio de Aplicação de Londrina. Se os resultados forem considerados positivos pela comissão organizadora, o sistema será repetido também no início do ano que vem.
Adalnice Lima acredita no sucesso do novo esquema de recuperação de repetentes. ‘‘Professores, pais e alunos estão satisfeitos’’, ressalta. ‘‘Esta recuperação vai surtir alterações na postura das escolas.’’ Para a coordenadora, o fato de que os estudantes têm mais tempo para estudar só uma ou duas disciplinas provoca um melhor desempenho.
Na opinião dela, a recuperação de férias não está sendo cansativa para os alunos porque eles permanecem apenas meio período na escola e o total de horas/aula durante todo o projeto é 30. ‘‘Normalmente os estudantes têm um cronograma de 20 horas/aula semanais’’, justifica. A exceção fica por conta dos alunos das escolas dos municípios de Antonina e Morretes, que fazem a recuperação em Paranaguá. Como a viagem ultrapassa 30 minutos, os estudantes frequentam horário especial, permanecendo na escola período integral e viajando menos dias na semana.
Maria da Graça Marconi acredita que apenas 3% dos estudantes que reprovaram em até duas matérias, na região de Londrina, estão frequentando o curso de férias do Marcelino Champagnat. Ela não tem o número exato de estudantes matriculados, mas diz que foram feitas 2.467 inscrições (o que equivaleria a cerca de 2 mil alunos, segundo ela).
As aulas, no Colégio Marcelino Champagnat, estão divididas em três turnos. No período da manhã frequentam os que repetiram a 7ª e 8ª séries. No período da tarde, 5ª e 6ª séries. E no noturno, 1º e 2º graus. Há também uma turma especial, na manhã, para os alunos de 2º grau que trabalham durante a noite.
O Marcelino Champagnat encampa estudantes de vários municípios da região. Mas o serviço também está sendo prestado em outras duas cidades próximas, Rolândia (para 1º grau) e Porecatu (1º e 2º graus).
Maria da Graça Marconi comenta que os critérios de avaliação final dos estudantes ainda não foram definidos. Mas ela ressalta que eles estão sendo avaliados diariamente pela participação nas aulas.
Kátia Aparecida Magri Marconato, 14 anos, tenta evitar a reprovação na disciplina de Matemática frequentando o curso de férias na Escola Estadual Marcelino Champagnat. Ela é estudante da 7ª série da Escola Estadual Professor Lúcio Barros Lisboa, no conjunto Vivi Xavier (zona norte de Londrina), e diz que gosta de estudar mas enfrenta muitas dificuldades nesta matéria. ‘‘É melhor estudar agora do que fazer tudo de novo’’, acredita.
Alisson Valfredo Zirondi, 15 anos, estuda no mesmo colégio de Kátia e também reprovou em Matemática. Na opinião dele é melhor estudar intensivamente neste mês de janeiro do que passar o ano inteiro se esforçando para entender a Matemática. ‘‘É menos cansativo.’’
A Associação dos Professores do Paraná (APP/Sindicato) faz críticas ao projeto Estudos Complementares de Férias do Governo Estadual. Para o presidente da APP em Londrina, Aristides Schiochet, as aulas de recuperação no contra-turno, durante o ano letivo, seriam bem mais proveitosas. ‘‘As aulas de reforço paralelo corrigem as deficiências pela base’’, comenta o professor. ‘‘Será que o aluno que vai pegar um professor diferente no final do ano conseguirá recuperar a matéria do ano todo?’’, ele questiona.
No entanto, Schiochet elogia a preocupação do Governo Estadual em tentar evitar o número elevado de reprovação. ‘‘Eu só não concordo com o trabalho feito de última hora.’’ Na opinião dele, trata-se de uma maneira de reduzir o índice de repetência visando a obtenção de empréstimos do Banco Mundial para a educação. ‘‘O Banco Mundial exige que o número de reprovação seja baixo’’, afirma Schiochet.
O presidente da APP/Sindicato acredita que as informações obtidas em um mês de férias serão esquecidas rapidamente. Ele sugere ainda - como forma de conter o alto índice de reprovação - o pagamento de hora/atividade para que os professores preparem melhor as suas aulas e tenham mais tempo para se aperfeiçoar.

mockup