Última captação no PR foi feita há 30 dias
No Paraná, existem atualmente cerca de 180 pessoas na fila de espera por um transplante de ossos. Segundo a Central Estadual de Transplantes, em 2001 foram realizados 278 transplantes desse porte. Em 2002, o número caiu para 258. Neste ano, até o final do mês de agosto, foram realizados 218 transplantes de ossos.
Uma particularidade que contribui para o aumento dessa fila é que somente o Hospital das Clínicas (HC), em Curitiba, está capacitado pelo Ministério da Saúde para funcionar como um Banco de Ossos no Estado. O HC responde por 70% dos ossos fornecidos ao Brasil através do SUS.
O agravante é que a instituição vem encontrando dificuldades para captar ossos, já que existe temor das famílias em fazer a doação. De acordo com o presidente do Banco de Ossos, Gerson de Sá Tavares Filho, a última captação ocorreu há cerca de 30 dias no Hospital João de Freitas, em Arapongas (37 Km a oeste de Londrina), quatro meses depois da penúltima.
Tavares explicou que o problema da falta de doação de ossos se deve a três fatores: a falta de notificação de óbitos, por parte dos hospitais, à Central de Transplante; o tipo de abordagem que é feita à família no momento em que os captadores de doações dos hospitais solicitam a doação; e o preconceito das pessoas em relação à doação de ossos.
De acordo com o ortopedista, doar ossos é simples e uma única doação pode atender até 40 pessoas que precisam do transplante. Segundo ele, o corpo do doador não fica desfigurado porque, no lugar do osso retirado, é colocado uma prótese de plástico. Para ser doador, porém, a pessoa não pode ter sido afetada por doenças sexualmente transmissíveis, doença de Chagas, nem hepatite A e B. O doador também não pode ter morrido de câncer ou de outra infecção nem ter permanecido na UTI por um período prolongado.
Tavares observou que seria muito interessante que outros Bancos de Ossos fossem credenciados no Paraná. Segundo o ortopedista, um similar ao existente em Curitiba custaria algo em torno de R$ 400 mil. De acordo com ele, o Hospital Universitário de Londrina teria a intenção de ser credenciado mas a Folha não conseguiu contato com o responsável do setor para confirmação.





