A União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules) levou ontem cerca de mil adolescentes ao gabinete do prefeito em exercício Jorge Scaff (PSB) para exigir agilidade no processo de implantação do passe escolar gratuito para os três níveis de ensino. Após meia hora de reunião entre Scaff e representantes dos alunos, ficou decidido que a questão será analisada pela procuradoria jurídica da prefeitura que deverá dar uma resposta definitiva hoje, em outra reunião, às 10h30. Caso seja negativa, a Ules pretende realizar novo manifesto segunda-feira na frente da prefeitura e entrar com um projeto de iniciativa popular na Câmara Municipal.
De acordo com o vice-presidente da entidade, Ederson Roman, já existe um projeto que reivindica a gratuidade do passe e até uma comissão de estudos formada por membros da Ules e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), antiga Comurb. ‘‘Queremos trazer de volta às escolas aqueles que deixaram de estudar por falta de dinheiro para pagar o ônibus’’. A aprovação da idéia beneficiaria 31.980 estudantes que já utilizam o meio passe.
Para o presidente da CMTU, Gustavo Santos, a intenção é boa, mas o problema é saber quem vai arcar com o ônus de 10% que a medida acarretaria. Segundo ele, a prefeitura não tem condições e a empresa ainda não foi consultada. O prefeito Jorge Scaff ofereceu ainda outro obstáculo: a Lei de Responsabilidade Fiscal.
‘‘Em Maringá, a prefeitura e a empresa de transporte que, curiosamente, é propriedade da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) absorveram esse acréscimo. Por que não se faz o mesmo aqui? Esse investimento poderia ser recompensado com publicidade nos ônibus e até nos terminais’’, sugeriu o presidente da Ules, Adriano Louzada.
O gerente da TCGL, Gildalmo de Mendonça, disse que a renda obtida através do ‘‘bus door’’ (publicidade) é irrisória e não paga a manutenção. Além disso, ele afirma que para atender todos os estudantes que pleiteariam o passe integral seria necessário mais ônibus e mais funcionários o que elevaria o ônus do benefício para mais de 10%. ‘‘Gratuidade não existe, alguém sempre paga por ela. O que nos preocupa é transferir essa responsabilidade para a população. Por isso somos contrários a aprovação do projeto, a menos que a prefeitura pague por isso’’.
Mendonça disse que a lei municipal 5.496, de 27 de julho de 1.993, e o artigo 35, da lei federal 9.074/95 garantem sua posição. Em cumprimento à legislação, ele afirma que as empresas de transporte de Londrina já oferecem passe gratuito a policiais militares e civis, carteiros, oficiais de justiça, deficientes físicos e acompanhantes, crianças menores de seis anos e idosos, além dos 110 mil passes doados à Secretaria Municipal de Ação Social.

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