UFPR vai estudar bacias hidrográficas
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quinta-feira, 31 de março de 2005
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciam este mês um estudo de 25 bacias hidrográficas da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Segundo Cristóvão Fernandes, um dos coordenadores do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental da instituição, o trabalho tem como objetivo proporcionar um entendimento dos mecanismos físicos, químicos e biológicos que causam a degradação destas bacias.
Especialistas consideram que todas as bacias hidrográficas da RMC sofrem algum tipo de problema. O Rio Barigui, que cruza os limites dos municípios de Almirante Tamandaré, Araucária e Curitiba, é contaminado por poluição oriunda de propriedades rurais, de despejo de esgoto doméstico e de indústrias. De acordo com Fernandes, o ponto da bacia com problemas mais significativos é justamente a área do Parque Barigui, um dos cartões postais da capital paranaense.
O rio é objeto de estudo na UFPR dentro do Projeto Bacia Experimental do Barigui, criado há cerca de nove anos e cuja conclusão está prevista para julho deste ano. ''A questão principal é: vale a pena despoluir totalmente o Barigui? A despoluição total de todos os rios da RMC é necessária? Um trabalho como esse exigiria muitos recursos, que teriam que ser disputados com áreas como saúde, moradia'', pondera Fernandes.
''O foco deste projeto (que começa em abril) é olhar o problema da poluição a partir do uso da bacia. Qual é a prioridade, investir para despoluir totalmente uma bacia que é um manancial ou outra que não é utilizada dessa forma? Não cabe a mim dar uma resposta. Os nossos objetivos são fornecer conhecimento para eventuais ações de despoluição e a formação de recursos humanos para trabalhar os problemas reais'', explica o professor. A pesquisa deve ser concluída em abril de 2007.
A Sanepar mantém um programa de preservação de bacias hidrográficas. A diretora de meio ambiente e ação social da empresa, Maria Arlete Rosa, afirma que a prioridade nas ações recai sobre mananciais, como a bacia do Rio Iguaçu na RMC, na qual foram investidos mais de R$ 300 mil nos últimos dois anos para trabalhos de recuperação. Tais recursos foram disponibilizados pela própria Sanepar e através de parcerias com entidades como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Embrapa.
A bacia do Iguaçu é responsável por 75% do abastecimento da RMC. ''Trabalhamos a princípio com o diagnóstico dos problemas, depois estabelecemos cronogramas e então buscamos as soluções'', diz Maria Arlete.


