Um grupo de técnicos do Centro de Biologia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vai para Adrianópolis desenvolver estudos que vão apontar o grau de contaminação por chumbo na água, nos peixes e sedimentos (fundo dos rios). O trabalho de campo será realizado nas áreas das mineradoras Plumbum e Rocha, onde foram encontrados depósitos de resíduos do metal. O início das pesquisas depende da aprovação da proposta pela prefeitura de Adrianópolis.
O centro deverá atuar em conjunto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A parceria será definida em reunião que acontecerá na próxima terça-feira. A intenção é estender o diagnóstico para a população, fazendo exames a partir da coleta de fios de cabelo das pessoas supostamente contaminadas. O professor Ciro Alberto de Oliveria Ribeiro, do Centro de Biologia Celular, explicou que dessa forma é mais fácil identificar a quantidade de chumbo no organismo, porque é no cabelo que o metal permanece por mais tempo.
Um estudo realizado por Ribeiro comprovou alterações na estrutura das células do rim e fígado de peixes submetidos, em laboratório, à mesma quantidade de chumbo encontrada na região do Rocha. Isso significa que os peixes de Adrianópolis, que estão em contato com os resíduos do metal, estão contaminados e podem estar contaminando as pessoas. As principais vias de contaminação, segundo ele, são pela água e pelos alimentos.
Segundo Ribeiro, um levantamento feito nos resíduos da Mineração Rocha mostrou a existência de outros metais, como o cobre e o zinco, em concentrações elevadas. ‘‘O cobre e o zinco são essenciais ao organismo humano, mas em grandes concentrações tornam-se tóxicos.’’
Técnicos da Secretaria Estadual da Saúde voltam na próxima quarta-feira para Adrianópolis, onde examinarão cerca de mil pessoas da Vila Mota, Capelinha e Rocha.

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