Curitiba
Os 9.015 índios que habitam o Paraná têm motivos para comemorar. Uma parceria firmada ontem entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família vai oferecer aos índios caingangue, guarani e xetá a tão sonhada possibilidade de aculturação sem ferir seus próprios costumes e práticas.
O termo de cooperação vai levar aos índios espalhados por 17 reservas no Estado programas nas áreas de educação, saúde, nutrição, arte e assuntos sociais. Na prática, os índios vão trocar com pesquisadores e alunos da universidade experiências culturais em cada área, com o objetivo de utilizar ao máximo seus próprios conhecimentos e hábitos. ‘‘Integração com preservação’’, resume a coordenadora de Movimentos Sociais da UFPR, Milena Costa Martinez. ‘‘É preciso socializar os índios, mas não queremos impor a sociedade dos brancos. Os índios precisam manter sua própria identidade’’, afirma.
A primeira reserva a ser beneficiada é Mangueirinha, no sul do Estado. Ali vivem 1.617 índios das tribos caingangue e guarani, em uma área de cerca de 17 mil hectares. Segundo Evídio Battistelli, assessor para assuntos indígenas do Governo do Estado, nesta reserva já foi implantado em junho do ano passado um programa-piloto, com resultados positivos.
‘‘É importante que tenhamos em nossas escolas currículos específicos e professores que ensinem as línguas indígenas, embasados em livros que falem de nossas lendas e costumes, para que não percamos de vista as nossas origens’’, avalia o caingangue Pedro Cornélio Seg Seg, presidente da regional Guarapuava do Conselho Indígena. Medicina natural e habitação característica também são outras prioridades, segundo Seg Seg.
No Brasil, há 329 mil índios de 215 povos diferentes distribuídos em 498 reservas. Suas terras ocupam 82 milhões de hectares, o equivalente a 10,52% do território brasileiro. Só não há índios nos estados do Piauí, Rio Grande do Norte e no Distrito Federal.

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