UFPR testa novos inseticidas
Curitiba - Enquanto agentes de saúde travam verdadeira luta a campo para eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti, uma outra batalha segue a todo vapor nos laboratóriaos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde integrantes do Projeto Rede Dengue testam duas novas substâncias que têm se mostrado letais às larvas do inseto. Os componentes pesquisados diferem dos inseticidas já disponíveis no mercado principalmente pelo baixo nível de toxicidade, o que equivale a dizer que são menos prejudiciais à saúde humana e de outros animais.
Outra vantagem das substâncias pesquisadas é o baixo custo, porque podem ser utilizadas em menor quantidade para apresentar o mesmo resultado dos inseticidas atuais. As pesquisas, porém, não se restringem a impedir a proliferação do mosquito. Outras frentes de trabalho também fazem parte do projeto, como os estudos para repelência e atraência.
De um lado os pesquisadores desenvolvem um repelente corporal a partir de uma planta asiática. De outro, focam o trabalho em substâncias que atraem o Aedes aegypti, que se melhoradas possibilitariam maior sucesso na captura dos mosquitos. Todo esse trabalho, desenvolvido por meio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), mantido pelo CNPq, justifica-se pela necessidade de melhorar a prevenção à dengue no Estado.
Mas um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, Mário Navarro, do Departamento de Zoologia da UFPR, lembra que a descoberta de repelentes mais eficientes não significa que outras medidas, como a prevenção à proliferação e a destruição de criadouros, podem ser deixadas de lado. ''O problema é muito grave e exige que usemos todas as ferramentas possíveis. Não podemos descuidar sob nenhum aspecto'', alerta. Ele lembra que a reprodução do inseto é tão rápida que em um mês já se tem três gerações do mosquito e uma epidemia instalada.
O outro pesquisador que coordena o Rede Dengue, Francisco de Assis Marques, do Departamento de Química, informa que a equipe está trabalhando para concluir os trabalhos o mais rápido possível, mas lembra que algumas limitações tem que ser enfrentadas, como a falta de investimentos em pesquisa. ''O controle do mosquito é a única forma de enfrentarmos o problema, mas para isso é preciso que a ciência e tecnologia sejam prioridade no País. Há muito tempo estamos apenas correndo atrás, quando na verdade deveríamos realizar pesquisas sistemáticas para antever problemas'', ressalta Marques.
O pesquisador não revela quais são os compostos em estudo, porque ainda não foram patenteados, mas garante que eles apresentam as características desejáveis para comercialização. ''Estamos na segunda fase dos estudos de laboratório, para em seguida iniciarmos o trabalho de campo. Não temos como falar em quanto tempo a população terá acesso a estas substâncias porque, embora a demanda seja grande, não dá para atropelar os passos da pesquisa'', afirma Marques. (S.L.)





