Curitiba - Com R$ 2,8 milhões em dívidas, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) busca recursos junto ao governo federal para evitar paralisações nas aulas. A principal dívida da universidade é com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), que foi renegociada recentemente e chega a R$ 2,4 milhões. O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior tem uma reunião marcada hoje com o ministro da Educação, Cristovam Buarque, para tentar a liberação de recursos para resolver a situação.
Moreira Júnior qualificou como ''precária'' as condições da UFPR. Além da falta de verbas para o pagamento de dívidas, o reitor destacou a falta de professores, funcionários e equipamentos da UFPR e levantou a possibilidade de paralisação das aulas. ''A situação é emergencial. Se cortarem a luz, não temos como dar aulas'', desabafou.
A liberação de verbas para as universidades federais de todo o País seria feita através de uma emenda enviada pelo Congresso ao governo federal, chamada de ''emenda Andifes'', em referência a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. A emenda prevê a liberação de R$ 65 milhões para as universidades públicas, sendo que a UFPR receberia R$ 2,4 milhões, o suficiente para, pelo menos, quitar a dívida com a Copel. Entretanto, o governo acena com o pagamento de apenas R$ 30 milhões às universidades, o que reduziria proporcionalmente as verbas destinadas ao Paraná.
Para pressionar o governo a atender as reivindicações dos reitores, as entidades que representam os alunos, professores e servidores da UFPR decidiram lançar o movimento UFPR Viva. Segundo a diretora de imprensa da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Milena Martinez, o objetivo é convocar a sociedade civil para sensibilizar o governo. ''Vamos fazer um ato público quando o ministro estiver reunido com o reitor. Não estamos passando o chapéu junto à sociedade, mas sim tentando conscientizar a população da importância da universidade para a sociedade, e da necessidade do governo dar mais atenção ao assunto'', explicou Milena.
Milena destacou a falta de professores na UFPR como um dos sintomas da queda na qualidade de ensino. ''Já tínhamos um déficit de 400 docentes. Com a reforma previdenciária, 88 professores pediram aposentadoria, e estimamos que até o ano que vem esse número chegue a 130. O Ministério da Educação e Cultura (MEC), porém, só autorizou a contratação de 67 professores efetivos'', lamentou.
Para Milena, o MEC estaria optando por uma política de contratação de professores temporários, que em tese, seriam mais baratos. ''Atualmente, 20% dos quadros docentes são formados por substitutos, que podem ficar no máximo dois anos, têm uma carga de trabalho desumana e recebem um salário aviltante. Embora reconheçamos o empenho dos substitutos, é nítido que nessas condições não se pode esperar a mesma qualidade de ensino que é oferecida pelos professores efetivos'', apontou.

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