A Universidade Federal do Paraná (UFPR) deve fechar o ano com um índice de evasão de alunos de até 80% em cursos como Física, Química e Matemática. A previsão é do pró-reitor de graduação da UFPR, Euclides Marchi, que acredita que nos demais cursos, a média de evasão deve repetir a de 95. A UFPR ainda não fechou o balanço de desistência no ano passado.
Segundo ele, a menor desistência ocorre em Medicina, Odontologia e Direito. Em 1995, a taxa de evasão nestes cursos foi de 9% do total de alunos inscritos. Marchi diz que a universidade em breve deve divulgar uma pesquisa detalhada sobre a evasão.
Para o pró-reitor, as causas da desistência são variadas. ‘‘O trabalho, um outro curso universitário paralelo, o baixo potencial de mercado de trabalho de algumas profissões e até mesmo a mudança de cidade pode causar a evasão’’, explica.
Neste ano, 820 alunos desistentes responderam um questinário elaborado pela UFPR. Dos entrevistados, 53 disseram que abandonaram a universidade porque não gostaram do curso.
A fim de reduzir a evasão, a UFPR adotou uma metodologia de orientação acadêmica. Com a medida, antes de deixar a faculdade, o aluno tem de conversar com o coordenador do curso. ‘‘Depois desta orientação, muitos desistem da idéia e continuam os estudos’’, afirma Marchi.
Na Pontifícia Universidade Católica (PUC/PR), a evasão nos cursos de graduação é de 8,4%. Ano passado, dos 12.389 estudantes matriculados, 1.037 abandonaram o curso, informa a coordenadora da Divisão de Estatística e Pesquisa Institucional da PUC, Ruth Compiani.
O curso de Ciências Religiosas foi o que registrou maior evasão em 95, 20%. Em seguida vieram Química Industrial (20%), Matemática (19%), Engenharia Elétrica e Pedagogia noturno (as duas com 17%) e Letras (Português), com 15% de desistência. A menor evasão ocorreu em Odontologia (1,1%), Medicina (1,6%) e Direito diurno (2,5%).
Ruth atribui a evasão ao despreparo dos alunos ao entrar na faculdade. ‘‘Muitas vezes a escolha é inadequada e há decepção com o curso. Além disso, em alguns casos, o aluno não tem base para frequentar o curso’’.
VocaçãoA falta de orientação e informação sobre as profissões e cursos é a principal causa da desistência nas universidades, diz a psicóloga Selena Maria Garcia Greca. ‘‘O estudante também, em muitos casos, não tem consciência de que a profissão é um projeto de vida e de futuro’’, argumenta.
Há quatro anos, Selena coordena o Centro de Orientação Vocacional em Curitiba. Segundo ela, a maioria dos jovens que procura a escola não tem idéia de que profissão escolher.
‘‘Depois das aulas e das visitas nas empresas, o vestibulando se sente preparado a decidir o seu futuro’’, afirma Selena, que também é membro da Associação Brasileira de Orientadores Profissionais. No centro vocacional, os alunos têm aulas de março a novembro. A carga horária mínima é de 50 horas.

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