Curitiba – A Universidade Federal do Paraná (UFPR) estuda a possibilidade de mudar o sistema de cotas do vestibular da instituição. O anúncio foi feito ontem pelo reitor Carlos Augusto Moreira Júnior, durante a divulgação da lista com os nomes dos 4.420 aprovados no concurso 2007 da UFPR. Os calouros participaram do tradicional banho de lama.
  A alteração poderá ocorrer porque desde que o sistema de cotas foi adotado, em 2005, não foi preenchida a reserva de 20% das vagas para estudantes negros. Em 2005, 13,7% dos aprovados eram candidatos que pleiteavam a reserva para afrodescendentes. No ano seguinte, eram 8,2%, e no vestibular 2007, 7,2%.
  Por outro lado, nos três concursos, os estudantes que pleitearam as cotas para oriundos de escolas públicas conseguiram ultrapassar a reserva de 20%. No concurso deste ano, 22,3% dos aprovados eram candidatos que se inscreveram para a cota para estudantes da rede pública de ensino.
  ‘‘Estudamos a possibilidade das vagas remanescentes dos cotistas negros serem aproveitadas por cotistas de escolas públicas’’, disse Moreira. O reitor comentou que a UFPR continuará implementando ações para promover a entrada de estudantes de escolas públicas e negros na universidade. A próxima estratégia será ampliar a oferta de vagas para cursos noturnos.
  ‘‘As pessoas que recorrem às cotas precisam trabalhar. Por isso, temos que ampliar as vagas noturnas. Hoje, 23% dos alunos da UFPR estudam à noite. Gostaríamos que a proporção aumentasse para 50%’’, afirmou Moreira.
  O reitor destacou os resultados positivos do sistema de cotas. Na UFPR, proporcionalmente o número de aprovados com pais que não concluíram o Ensino Fundamental é 294% maior entre os cotistas de escola pública e 240% maior entre os cotistas negros do que entre os aprovados não-cotistas. Além disso, o número de aprovados com renda familiar até R$ 1.000 é 239% maior entre os cotistas de escola pública e 209% maior entre os cotistas negros.
  ‘‘Esses números indicam a importância de políticas afirmativas’’, comentou Moreira. ‘‘Os alunos que entram pelas cotas ficam na universidade. A evasão entre alunos não-cotistas é duas vezes maior do que entre cotistas de escola pública e três vezes maior do que entre cotistas negros’’.

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