Curitiba - Mesmo após ouvir dezenas de testemunhas sobre as circunstâncias do trote dos calouros do dia 22, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) ainda não sabe se irá instaurar um processo formal de investigação sobre o caso de João Francisco Miró Medeiros Nogueira, 17 anos. O calouro de Geografia foi levado para um hospital da Capital após ter ingerido uma grande quantidade de bebida alcoólica. De acordo com o reitor em exercício, Rogério Mulinari, a instituição aguardava informações da família do jovem, uma vez que todas os relatos não indicariam qualquer situação anormal na festa de divulgação do resultado do vestibular. A família não prestou queixa formal na universidade. Uma comissão independente tem 60 dias para concluir a apuração. A decisão sobre instaurar o processo administrativo para investigação formal do caso caberá à autoridade administrativa da universidade.
Seriam pedidos aos pais o prontuário de atendimento do Hospital das Nações, onde João Francisco permaneceu durante uma noite na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o laudo toxicológico e também uma entrevista com o calouro. Segundo a família dele, o estudante foi forçado a ingerir bebidas alcoólicas e houve demora no atendimento médico. ''Não houve organização e não tinha ambulância próxima ao local. A universidade não estava preparada para atender um evento daquele porte'', afirma o pai do calouro, Francisco Nogueira.
Segundo Mulinari, durante a festa, que contabilizou 15 mil presentes e 5,5 mil estudantes, apenas três atendimentos foram registrados pela empresa de serviços médicos. Além de João Francisco, atendido na unidade móvel de terapia intensiva, os outros dois casos foram de escoriação e objeto estranho no olho, ambos atendidos no local. O socorro ao jovem de 17 anos foi registrado 15h35, cerca de 20 minutos após o segurança ter avisado um dos monitores do evento.
Segundo a assessoria de imprensa da UFPR, João Francisco passou mal do lado de fora do campus onde era realizado o evento. Com as imagens da câmera de segurança da saída do campus não foi identificado o momento em que o rapaz deixou o local, mas a instituição alega que nenhum estudante sai ''carregado'', embora um segurança tenha testemunhado que ele teria saído caminhando acompanhado de amigos. Na festa só era permitida a venda cerveja, mas não é descartada a hipótese de pessoas terem levado outras bebidas ou substâncias, uma vez que não há revista na entrada.
''Eu entendo, como pai, a intranquilidade da família ao ver um filho desacordado. Mas precisamos ouvir a família para saber por que fez essas acusações'', disse Mulinari. Procurada uma segunda vez para comentar as declarações da Reitoria, os familiares do jovem não atenderam as ligações.

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