Curitiba
O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Henrique de Faria, contestou ontem a existência de uma rede de pornografia infantil na instituição. ‘‘Na verdade, o nosso servidor foi utilizado por um aluno do curso de Informática para disponibilizar uma página com imagens de meninas nuas na Internet’’, disse. O acesso ao site está bloqueado desde 23 de junho.
Faria não revelou o nome do estudante, que cursa atualmente o quarto ano de Informática. ‘‘Ele vai ser indiciado em inquérito administrativo por uso inadequado do patrimônio público, que pode levar à sua expulsão da universidade’’, informou o reitor. A previsão é concluir o inquérito até meados de agosto. As iniciais do nome aluno devem ser F.R.K., conforme as letras que precedem o ano de criação da página (http://www.inf.ufpr.br/frk93).
‘‘Temos 2.000 usuários em nosso provedor, todos capazes de fazer sua home page’’, disse o reitor. ‘‘Além de faltar uma legislação sobre a matéria, existe uma impossibilidade operacional de censura’’, completou, consciente da dificuldade de controlar o uso nocivo da rede. Faria lembrou ainda que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou inconstitucional proibir a divulgação de informações via Internet.
Para o reitor da UFPR, nada há de anormal no fato de não ter tornado o assunto público assim que a página com pornografia infantil foi localizada. ‘‘Tomamos uma providência interna que envolvia um caso isolado no meio de uma comunidade de 27.000 estudantes, mas reconheço que a denúncia da imprensa provocou um desgaste na imagem da institutição’’, afirmou Faria.
A página com pornografia foi descoberta em um levantamento de rotina para medir o nível de utilização do servidor, em funcionamento desde 1992. O site ocupava 95% da capacidade do sistema. ‘‘Entramos na página, vimos do que se tratava e imediatamente bloqueamos o acesso e identificamos o dono da conta’’, relatou o professor Sérgio Scheer, responsável pelo Centro de Computação Eletrônica da UFPR.
A polêmica em torno da página com pornografia infantil foi lançada por um jornal de Curitiba, que na edição de ontem reproduziu informações do último boletim do Instituto Gutenberg, também disponível na Internet (http://www.igutenberg.com.br). Trata-se de um centro de estudos da imprensa baseado em São Paulo que periodicamente avalia o comportamento da mídia.

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