Os servidores do Hospital de Clínicas e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, deflagraram ontem uma paralisação de advertência de dois dias. Eles exigem que o governo federal publique uma Medida Provisória para garantir remunerações adicionais de 10%, 15% e 45% nos salários da categoria. Esta foi a promessa para acabar, há 45 dias, com uma greve nacional que durou três meses. Os funcionários querem ainda uma reposição salarial de cerca de 60%. O índice representa perdas acumuladas desde 1994, quando o Plano Real entrou em vigor.
A possibilidade de paralisação geral vai ser discutida na próxima semana pela Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasulbra). Na última greve, o HC teve um prejuízo de R$ 2,5 milhões, de acordo com a administração do hospital. Cerca de 30 mil pessoas deixaram de ser atendidas e outras 1,3 mil não conseguiram internação. O reitor em exercício da UFPR, Rômulo Sandrini, que conversou com os servidores ontem pela manhã durante uma assembléia, acha que o governo vai editar a MP.
De acordo com o diretor do Sindicato do Servidores do HC e da UFPR (Sinditest), Antônio Aleixo, a posição dos reitores em todo o País, é bastante delicada. ‘‘Os reitores foram avalistas de um acordo que não foi cumprido. A posição deles é muito complicada. Saímos de uma greve porque o governo garantiu que daria a remuneração adicional e até agora nada’’, disse.
Ele não acredita que o governo vai cumprir o que prometeu, pois o prazo final para conceder as remunerações terminou no dia 1º de setembro. ‘‘Se a gente entrar em greve de novo, a situação no HC vai ficar muito complicada e o hospital corre o risco de até fechar as portas’’, diz Aleixo.
Apesar da greve de advertência, o atendimento no HC transcorreu sem alterações no dia de ontem. Cerca de 1,1 mil servidores celetistas da Funpar (fundação da universidade de captação de recursos) se revezaram no atendimento aos pacientes.