O projeto de telemedicina desenvolvido na Universidade Federal do Paraná (UFPR) é pioneiro no Estado. Iniciado no final de 1998, por iniciativa do professor Osvaldo Malafaia, o projeto só começou a ser desenvolvido no Hospital de Clínicas da UFPR no final do ano passado, graças a um convênio firmado com o St. Jude Children’s Research Hospital da cidade de Memphis, estado do Tennessee, nos Estados Unidos, e o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP).
Nestes primeiros meses, graças aos avanço da telemedicina, já foi possível para a equipe – composta por cerca de 50 pessoas, entre médicos, alunos e consultores dos três estabelecimentos – acompanhar ‘‘ao vivo’’ duas cirurgias realizadas no IMIP, com interação de especialistas. ‘‘Enquanto o paciente se beneficia da opinião de uma equipe altamente especializada, o cirurgião pediatra em treinamento se beneficia pela comunicação com cirurgiões e clínicos com experiências diferentes’’, explica o médico Osvaldo Malafaia.
Inicialmente, a intenção da equipe da UFPR com o projeto é possibilitar o ensino médico à distância. Através da videoconferência e outros recursos de comunicação à distância (telefone, fax, e-mail), profissionais estão fazendo cursos de especialização, em diversas áreas, sem a necessidade de se locomover da cidade onde residem.
Para atingir este objetivo, o grupo da UFPR utiliza três meios de transmissão de informações entre as instituições. A primeira é pelas teleconsultas multidisciplinares, onde pacientes são apresentados e os casos discutidos por uma equipe de médicos, rompendo as barreiras regionais e internacionais. Geralmente, as teleconsultas são feitas de médicos para médico, mas quando há necessidade e a concordância dos pacientes, eles próprio podem participar das videoconferências.
Já na teleradiologia, a segunda forma de troca de dados, as salas de videoconferências são montadas com equipamentos para transmissão de imagens de radiologia (Raio-X, tomografia, ressonância, cintilografia, etc) de forma que os especialistas à distância possam rever e discutir os detalhes das imagens.
O terceiro método, a telepatologia, faz com que as salas de videoconferências necessitem possuir microscópios especiais com câmaras digitais, que possibilitam o envio das imagens captadas ao local remoto. Desta forma dois patologistas a centenas de quilômetros de distância podem avaliar as mesmas imagens como se ambos estivessem na mesma sala, usando o mesmo microscópio. Esta também é uma ferramenta de ensino, onde o patologista e os hematologistas de Recife estão recebendo treinamento dos especialistas do Hospital St. Jude.
Sobre a ética no uso da telemedicina, a equipe da UFPR se diz preocupada e já começa a se prevenir contra as possíveis críticas. ‘‘As principais preocupações estão no sigilo médico e quem fica com a responsabilidade médica do paciente. No nosso projeto, os pacientes são identificados por códigos, de forma que sua real identificação não é revelada, a não ser para a equipe que esta tratando efetivamente do paciente’’, explica o médico Edson Luiz Michalkiewicz, mestrando do Programa de Pós-graduação em Clínica Cirúrgica da UFPR, e um dos responsáveis pelo projeto envolvendo o IMIP e o St. Jude.

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