UFPR apura caso de professora fantasma
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terça-feira, 16 de julho de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma comissão de sindicância está investigando o caso de uma professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que recebeu gratificações mesmo sem ter trabalhado nos últimos dois anos. Ana Lúcia Nicastri, que era professora adjunta no Departamento de Biologia Celular, do Setor de Ciências Biológicas, estava afastada alegando problemas de saúde, mas mesmo assim requereu, em outubro do ano passado, a Gratificação de Estímulo à Docência (GED), utilizando indevidamente requerimentos e formulários da UFPR.
A pró-reitora de Recursos Humanos e Assuntos Estudantis, Roseli Isidoro, diz que a comissão tem 90 dias para apurar o caso. ''Embora já tenhamos algumas provas, compete à comissão de sindicância verificar a culpa e, neste caso, determinar a punição, que pode variar desde suspensão, até a devolução do que foi recebido indevidamente e exoneração'', explica. A pró-reitora diz que soube do caso 15 dias após assumir o cargo, em maio, através de uma reportagem na TV. A emissora teria recebido de fonte anônima um dossiê com as denúncias contra a professora. Segundo ela, ao apurar a denúncia, foram encontrados dois processos de sindicância, abertos em dezembro de 2000 e dezembro de 2001 respectivamente.
O primeiro processo diz respeito às licenças médicas consecutivas apresentadas pela professora, depois que ela teve negado um pedido de transferência para o Setor de Saúde, na disciplina de Psiquiatria Forense do curso de Medicina. O processo mais recente investiga o pagamento da GED para Ana Lúcia Nicastri, mesmo ela tendo alegado impossibilidade de dar aulas por problemas de saúde durante dois anos.
Para receber a GED, o professor tem que ter pelo menos uma média semanal de oito horas-aula, de acordo com a Lei 8.678/98. Além de um requerimento, é necessário apresentar um Plano de Trabalho Individual relatando as atividades desenvolvidas pelo professor. Os dois documentos foram assinados pela professora e, no lugar da assinatura do chefe do setor, consta a assinatura de sua advogada Eliane Saporski. ''Ela fez uso indevido de um documento da universidade'', disse Roseli Isidoro.
A Folha tentou localizar a professora e sua advogada, para ouvir a versão delas sobre o caso. O telefone de Ana Lúcia não consta na lista e o da advogada não atendia ontem à tarde.


