Ufólogos comemoram dia dos Discos Voadores
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
Ofuscado pelas comemorações do dia de São João, a efeméride mais ilustre do dia 24 de junho, foi celebrado ontem também o Dia Mundial dos Discos Voadores. Nesta data, no ano de 1947, o empresário e piloto norte-americano Kenneth Arnold declarou à imprensa que havia visto no céu nove objetos voadores não-identificados, no estado de Washington. O fato é considerado o marco-zero da ufologia, ciência que estuda sinais da suposta presença de seres de outros planetas na Terra.
A Revista UFO (da sigla em inglês para objeto voador não-identificado), de Campo Grande (MS), a única publicação especializada no assunto do Brasil, informa que existem no País mais de 200 grupos que analisam a aparição de objetos descritos como discos voadores, congregando cerca de mil pesquisadores. ''Os objetos voadores não-identificados, na verdade, aparecem nos céus desde muito antes de 1947'', explica Ademar José Gevaerd, editor e criador da revista, há 20 anos no mercado. ''Sua presença está registrada em vários livros sagrados e históricos de povos de todas as partes do mundo''.
No Paraná, é inexato dizer quantos grupos se dedicam à ufologia atualmente. Carlos Alberto Machado, presidente do Centro de Investigação e Pesquisa Exobiológica (Cipex), sediado em Curitiba, recentemente escreveu cartas para 80 grupos do tipo em todo o Estado, e recebeu apenas sete respostas. ''Existe muito fogo de palha nessa área. Às vezes estudantes se empolgam pelo assunto, criam um grupo e logo desistem'', diz Machado.
Em Londrina, o grupo Antares, que encerrou atividades em 1985, foi muito popular. A associação chegou a ter mais de 100 membros e era ligado ao Movimento Gnóstico da cidade, que existe até hoje e que segue os preceitos de Samael Aun Weor, um dos primeiros estudiosos dos discos voadores. O grupo montou uma pirâmide na antiga fazenda Rezende, nas proximidades da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para ''fazer contato'' com alienígenas, e angariou tijolos para a construção de um discoporto, que nunca foi concretizado.
O advogado Odácio Manchini, que fazia parte do grupo e segue os preceitos da gnose até hoje, conta que em 1965 estava em Nova Iorque quando a cidade foi tomada por um blecaute. ''O apagão durou exatamente doze horas, uma coisa inexplicável. Pelo que se comenta, uma nave parou sobre uma usina e tirou a energia. Ninguém soube explicar o que tinha acontecido. Logo depois, a Nasa criou um departamento apenas para investigar aparições alienígenas'', diz.
Ele relata que, nos cerca de cinco anos de atividades do Antares, alguns membros do grupo viram uma nave-mãe pousar na zona sul da cidade. ''Em outra oportunidade, quando a pirâmide finalmente atraiu uma nave, o pessoal que estava esperando saiu correndo, assustado'', lembra Manchini, às gargalhadas. Ele conta também que, certa vez, numa palestra em Maringá, ele e a esposa, Nazilda, viram um extra-terrestre na platéia, que teria causado um blecaute no recinto.
O Antares chegou ao fim minado por divergências de pensamento entre os integrantes. Mas Manchini e Nazilda se interessam pelo assunto até hoje. Falam com naturalidade que o marido de uma amiga é extra-terrestre e alertam que os alienígenas estão por toda parte. ''Eles já são milhares. Podem estar até na Folha'', afirma Nazilda, em tom de brincadeira.
Os adeptos da ufologia são frequentemente vítimas de piada, mas parecem não se importar mais com isso. ''É natural que (a ufologia) não seja levada a sério. A maioria das pessoas não se interessa. Ninguém presta atenção no céu. Se o fizesse, iria perceber muita coisa intrigante'', defende Carlos Machado, que afirma ter visto objetos não-identificados pelo menos cinco vezes.


