UEPG quer enviar ao espaço um projeto sobre proteínas
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Giovani Ferreira 
Um projeto de cristalização de proteínas, desenvolvido por um professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), pode fazer parte do próximo vôo orbital da Discovery, ônibus espacial da Nasa, que tem lançamento marcado para outubro, da estação de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA).
O professor Jorge Iulek, do Departamento de Química, espera com ansiedade a definição da Nasa de incluir ou não o projeto nessa expedição espacial. A possibilidade de Iulek conseguir enviar seu trabalho neste vôo partiu de um intercâmbio entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Nasa, envolvendo as instituições de ensino superior do Brasil.
Jorge Iulek, que ontem estava trabalhado em seu projeto em laboratórios da USP/São Carlos, disse que o INPE deve divulgar o nome do projeto escolhido dentro dos próximos dias. No Paraná, também a Universidade Federal (UFPR) está desenvolvendo projetos nesse sentido.
O projeto de Iulek tem por objetivo a purificação e cristalização de proteínas. A importância do envio desse trabalho para o espaço, explica o professor, é de testar o processo onde as condições de baixa gravidade proporcionam estudos mais profundos sobre estruturas cristalográficas.
A proteína que está sendo utilizada no trabalho é a Alfamilanese de Bacilus Stearotthermophilus, considerada de alta resistência térmica, que possui diversas aplicações na área industrial. A proteína possui amilase, que pode ter aplicação na indústria alimentícia. O exemplo dado pelo professor foi a fabricação de cerveja, onde em determinada fase do processo de produção existe a ação da amilase. Segundo Iulek, a amilase é a transformação do amido em açúcares menores.
Sobre a importância desse projeto e sua aplicação prática, o professor explica que além do puro interesse científico, os estudos se justificam pela otimização do processo industrial, com o conhecimento mais específico da estrutura das proteínas. No caso da amilase, a determinação de sua estrutura poderá determinar seu grau de resistência às altas temperaturas, informação que pode ser fundamental para o setor industrial, disse o professor.


