A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) encaminhou pedido de patente internacional de um produto com base no grafeno (material 100 vezes mais resistente que o aço). O produto possui aplicabilidade direta nas indústrias petrolífera (reduzindo o risco de vazamentos por ruptura de dutos), siderúrgica, metalúrgica, de gás e biocombustíveis e pode se prestar também para uso médico, biomédico e hospitalar.

O documento foi protocolado em 4 de novembro, via PCT (Patent Cooperatinon Treaty), na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (WIPO), em Genebra (Suíça), pela Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi) da universidade. O resultado poderá sair dentro de quatro meses, após averiguação sobre a existência de estudos ou produtos semelhantes em todo o mundo.

Os pesquisadores responsáveis pelo produto são André Luiz Moreira de Carvalho (Departamento de Engenharia de Materiais) e Nádia Khaled Zurba (bolsista pós-doc da Capes).

O produto desenvolvido poderá ser usado em equipamentos no campo do petróleo, em sistemas risers (dutos) submarinos (offshore) de águas ultraprofundas (superior a 1.500 m) ou sistemas terrestres (onshore). "Essa tecnologia poderá ser utilizada, por exemplo, na exploração do pré-sal", comenta Moreira, ressaltando que o grafeno pode reduzir significativamente o risco de acidentes com vazamento de óleo, devido à ruptura de dutos.

Grafeno
Nádia Zurba explicou que experimentos com o grafeno, material desenvolvido em laboratório em 2004, renderam o prêmio Nobel de Física aos pesquisadores russos André Geim e Konstantin Novoslevov, no ano passado.

O material é o mais fino já obtido (apenas um átomo de espessura) e o mais resistente (mais que diamante). É condutor de eletricidade tão bom quanto o cobre e propagador de calor melhor do que qualquer outro material. A exploração de suas propriedades permite obtenção de novos materiais e a produção de componentes eletrônicos inovadores.

A investigação na UEPG envolveu a adição de nanofolhas de grafeno na composição de aços usados na indústria do petróleo. Segundo os pesquisadores, esta solução técnica visa melhorar a integridade estrutural dos dutos e sistemas risers, de modo que, quando produzidos de acordo com o exclusivo método de fabricação patenteado, possam apresentar qualidades superiores, comparados com aqueles sem grafeno.

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