UEM vai produzir remédios naturais para rede pública
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de março de 1997
Marccio W. Varella Sucursal de Maringá 
A partir de setembro, a rede pública de saúde do Paraná estará abastecida de remédios naturais ou fitoterápicos (de origem vegetal), que serão produzidos pelo Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de Medicamentos e Cosméticos (Lepemc) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Numa primeira etapa, o Lepemc vai produzir o calmante Maracujá e o cicatrizante Calêndula. Depois, serão colocados no sistema o antiácido Espinheira Santa e o antiinflamatório Marcela. A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o uso de medicamentos naturais como terapia alternativa nos países do 3º Mundo é de l978, quando a medicina tradicional foi oficialmente reconhecida. Segundo os especialistas da OMS, os remédios à base de fitoterapia têm os mesmos efeitos dos medicamentos alopáticos e não causam efeitos colaterais.
A produção dos remédios será coordenada pela farmacêutica Adriana Lenita Meyer Albiero, 33 anos, do Lepemc. O trabalho envolve, além da UEM, a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal da Agricultura, que doou um barracão de 450 metros quadrados, localizado no Viveiro de Mudas da Prefeitura, no jardim Industrial II.
Adriana explica que o laboratório fitoterápico será implantado com recursos da Secretaria Estadual de Saúde, que vai montar todos os equipamentos necessários para o trabalho, como misturadores, reatores, filtros e capsuladores. Vamos funcionar como uma indústria, mas sem visar o lucro. Os remédios serão repassados a preço de custo para a UEM poder pagar água, luz, telefone e funcionários e, principalmente, a matéria-prima, ou seja, as flores da calêndula e as folhas do maracujá. O secretário municipal da Agricultura, Jaime Dalagnol, garantiu que a Prefeitura vai criar um cinturão verde, cujas plantas serão destinadas ao Lepemc. Mas enquanto as plantas não estiverem sendo produzidas, a matéria-prima será comprada diretamente do mercado.


