O Núcleo de Pesquisa em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) precisa de recursos para pôr em prática um projeto de pesquisa e diagnóstico do Rio Iguaçu. Uma das principais preocupações dos pesquisadores é que 80% das espécies identificadas nesta bacia hidrográfica são próprias do rio e correm risco de extinção.
O projeto também pretende avaliar o impacto provocado pelo derramamento de 4 milhões de litros de óleo da refinaria da Petrobras em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, em julho. Um dos únicos do País, o Nupélia é considerado um núcleo de excelência em ecologia de água doce.
Segundo o coordenador científico do Nupélia, Ângelo Antonio Agostinho, o projeto foi apresentado ao Ibama e chegou ao conhecimento da Petrobras para que a empresa possa custear o monitoriamento do Rio Iguaçu e a análise do impacto que ainda não foi realizada desde o derramamento do óleo. O valor de execução do projeto varia de R$ 4 a R$ 5 milhões e pode envolver cerca de 40 profissionais. Agostinho conta que somente o trabalho de coleta e amostragem pode levar um ano e outros três a quatro meses de análise.
O objetivo é um monitoramento completo desde a cabeceira do Rio Iguaçu até as Cataratas. Com o trabalho, os pesquisadores poderão identificar os pontos críticos do rio e observar quais são as áreas utilizadas pelos peixes para desova e desenvolvimento, além de verificar o tipo de alimentação das espécies e onde e como elas buscam o alimento.
O resultado do projeto pode significar aos órgãos ambientais o conhecimento de meios de controle da poluição e de monitoramento em áreas consideradas prioritárias e indicadores de qualidade da água. Com o final dos trabalhos também será possível conhecer a biologia das espécies.
Conforme o coordenador científico, os estudos terão um caráter isolado porque não há informações anteriores a respeito da ecologia do rio que permitam uma análise comparativa sobre a bacia hidrográfica. Atualmente, os únicos estudos realizados no Rio Iguaçu são concentrados em trechos de interesse das hidrelétricas. Se o projeto for realizado será a primeira vez que o Rio Iguaçu irá receber uma análise científica adequada para a importância da bacia na sustentação ambiental e econômica do Paraná.
Para Agostinho, a avaliação do impacto causado pelo derramamento de óleo teria sido mais adequada se fosse feita logo após a tragédia. O coordenador lembra que há vários ângulos para a análise já que as substâncias do óleo se dividem em partes que evaporam, outras que flutuam, além das que se depositam no fundo do rio e uma que se dissolve na água. ‘‘A parte que se dissolve merece atenção porque é levada para todo o rio e não sabemos suas consequências’’, explica Agostinho.

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