Maringá - O governador Roberto Requião (PMDB) disse ontem, em Maringá, que vai pedir providências ao Ministério Público pela ''irresponsabilidade'' da última administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) em criar 20 cursos sem previsão orçamentária. ''Foram irresponsáveis em abrir cursos sem orçamento, sem dinheiro, sem nada, para depois mandarem a conta para o povo. Esta é uma situação que deve ser contida definitivamente no Paraná'', disse. O reitor da UEM, Gilberto Pavanelli, afirmou que não sabe como vai resolver a questão que pode culminar em fechamento de turmas e cancelamento do próximo vestibular.
Requião e Pavanelli se encontraram no aeroporto de Maringá. O governador esteve na cidade para participar de uma homenagem aos pioneiros do município. No aeroporto, um grupo de alunos do curso de Mecânica que está no quarto ano e não tem laboratórios, professores efetivos e pessoal técnico entregou um ofício pedindo ajuda ao governador. Requião rejeitou o ofício e mandou os alunos entregarem o papel ao reitor porque o ''problema é da administração da universidade''.
Pavanelli ficou constrangido, mas concordou que a situação é ''única e sem precedentes no Paraná''. ''Herdei este problema. Nãoteria coragem de fazer o que fizeram com a UEM'', disse. Segundo ele, as dificuldades em consequência da criação dos novos cursos, a partir de 1999, já eram esperadas. ''Nenhuma universidade abre cursos desta maneira impunemente'', afirmou.
Conforme o reitor, a administração pode se decidir pelo cancelamento do próximo vestibular que receberia 807 alunos nestes cursos. ''Tenho mil alunos em cinco cursos na extensão de Umuarama e não posso mandá-los embora simplesmente, mas não temos condições de oferecer o terceiro ano'', afirmou.
Segundo Requião, as providências pelas irregularidades cometidas na UEM vão começar pelo Ministério Público. O governador disse que não tem como tirar dinheiro de outras áreas para a UEM, mas pode tentar ajuda no Governo Federal. ''Se eu fizer qualquer coisa sem previsão legal, vou para a cadeia e acho que quem fez isso na UEM deve responder pelo que fez'', apontou.

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