A Universidade Estadual de Maringá (UEM) deixou de criar o curso de engenharia mecânica, apesar de um parecer favorável da Secretaria Estadual de Indústria e Comércio, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, concedido em outubro de 1994. O parecer é assinado pelo secretário da época, Adhail Sprenger Passos.
A implantação do curso de engenharia mecânica fazia parte de um projeto integrado de desenvolvimento regional tecnológico e industrial, realizado pela UEM e pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Pelo projeto, a UEM criaria o curso de engenharia mecânica e a UEL, o curso de engenharia eletrônica. A Secretaria chegou a elogiar o projeto por causa da proposta conjunta. No parecer, a iniciativa das duas universidades é considerada exemplar por evitar os vícios de superposição.
Com a criação dos dois cursos, segundo o parecer da secretaria estadual, a UEM e a UEL poderiam pensar em ‘‘construir uma cooperação concreta de atuação conjunta nas áreas tecnológicas a fim de racionalizar recursos, buscar excelência a curto prazo e obter uma sinergia de atuação nesta região do Paranᒒ.
O parecer faz ainda uma série de sugestões para melhorar o projeto, prevendo até a indicação de recursos necessários para aquisição de livros, assinatura de revistas e periódicos. A UEM simplesmente ignorou o parecer.
De acordo com o reitor, Luiz Antônio de Souza, o projeto de criação do curso foi elaborado em 10 de outubro de 1994, quando ele era vice-reitor. Souza confirma, entretanto, que recebeu o parecer quando já era reitor da UEM e que não deu continuidade ao projeto ‘‘porque a universidade não tinha e não tem condições de criar um novo curso’’.
‘‘O fato da Secretaria apoiar o projeto não significa que o governo iria viabilizar a criação do curso’’, justifica. Segundo Souza, os próprios conselhos superiores da UEM eram contra a implantação de um novo curso na época.
Para o reitor, a UEM só poderia ter se empenhado em criar o curso de engenharia mecânica se o governo se comprometesse em investir no campus. Ele explica que a UEL conseguiu viabilizar o curso de engenharia elétrica, modalidade em eletrônica, devido aos investimentos que o governo do Estado fez na instituição ao longo dos últimos anos.
‘‘O campus da UEL já está concluído e nós ainda temos 20 mil metros quadrados de blocos em material pré-fabricado e mais 110 mil metros quadrados para serem construídos’’. Segundo o reitor, o governo não repassa recursos há quatro meses para a manutenção da universidade. A dívida já soma aproximadamente R$ 720 mil. ‘‘Sou favorável à criação de novos cursos, desde que tenhamos condições de mantê-los e de melhorar a estrutura dos cursos atuais’’, afirma.
O reitor diz que isso não quer dizer que a UEM não brigará pelo curso de engenharia mecânica. Segundo ele, a universidade planeja implantar o curso no futuro. ‘‘Já me comprometi com o diretor do Centro de Tecnologia em buscar apoio junto à comunidade para viabilizar a sua instalação’’, diz.
A estimativa da Secretaria em 1994 era de que o investimento seria de US$ 5 milhões. O curso de engenharia elétrica na UEL foi criado no ano passado e a primeira turma começou este ano.

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