UEM cria Banco de Dentes Humanos
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Maringá - Pelo menos três universidades públicas do Paraná já contam com um banco de dentes humanos. O mais recente é o da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que passou a fazer a captação neste mês, com o objetivo de documentar a procedência e o destino de dentes extraídos, evitando o comércio ilegal. Criado como um núcleo sem fins lucrativos, vinculado à Clínica Odontológica da instituição, o banco também supre a necessidade de obtenção de dentes utilizados em estudos pré-clínicos pelos alunos de graduação e em pesquisas.
''O banco funciona num laboratório com geladeira, autoclave e computador e conta com três funcionários que trabalham na documentação e estoque dos dentes'', assinala a coordenadora Raquel Fano Fuga Perada. Segundo ela, qualquer dente extraído já pode ser doado, mesmo que esteja quebrado ou totalmente cariado.
O banco da UEM conta com apenas 50 dentes e a meta é conscientizar a população e os profissionais para a doação. ''Para este ano, os alunos já conseguiram o material que será usado nas disciplinas, por isso estamos nos preparando para o próximo ano letivo. Precisamos, em média, de 200 dentes por período da graduação'', diz Raquel, comentando que a ideia de criar o banco surgiu da necessidade de facilitar o acesso dos pesquisadores ao órgão dentário, que também deve ser legalizado para validar a pesquisa.
Doações
Os outros dois bancos de dentes humanos funcionam na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Conforme Vania Aparecida Oliveira Queiroz, coordenadora da unidade da UEPG, o banco foi aberto há dois anos.
Os dentes em estoque são recebidos da população, de cirurgiões dentistas, das clínicas privadas e da própria faculdade, por meio de doações. ''Eles passam por um processo de desinfecção e são fornecidos aos alunos, conforme as diferentes disciplinas, e aos pesquisadores, após a aprovação da pesquisa por um Comitê de Ética'', explica.
De acordo com ela, os alunos são estimulados a buscar os dentes para a realização das práticas durante a graduação e muitas vezes acabam recorrendo a fontes ilícitas, como cemitérios, para obter o material. ''Sempre orientamos a busca por meio de doações de clínicas odontológicas, mas é impossível controlar de onde vêm os dentes.''
Para Vania, com a criação dessas unidades, o comércio ilegal tende a acabar. Ela cita que o uso de dentes naturais aprimorou o ensino da odontologia nas universidades. ''Os dentes são tratados e limpos e direcionados para as disciplinas.''
Conforme ela, como a maioria da população brasileira carece de tratamento odontológico, a extração de dentes ainda é realidade nos consultórios, por isso não faltam doações ao banco. ''E recebemos de tudo, desde dentes de leite, de adolescentes, cisos, até de idosos. Todo tipo é fundamental para o ensino e a pesquisa.'' Ela reforça a necessidade de conscientizar os profissionais das clínicas a guardarem os dentes extraídos para doação aos acadêmicos.
País
Conforme Vania Aparecida Oliveira Queiroz, coordenadora da unidade da UEPG, universidades brasileiras que contam com bancos de dentes estão se reunindo em um grupo, coordenado pela Universidade de São Paulo (USP), que irá avaliar a realidade no País. ''Não temos ideia de quantos bancos existem, mas é algo bastante novo, pois o processo de criação de um banco é lento e o investimento varia conforme a instituição'', explica.
Para fazer a doação, o interessado deve, após a limpeza em água corrente, armazenar o dente preferencialmente imerso em água de torneira ou água destilada. O dente também poderá ser transportado seco. É preciso evitar o uso de álcool, água oxigenada, água sanitária ou qualquer outra solução e produtos químicos.
Serviço:
Informações sobre bancos de dentes na UEM pelo fone (44) 3011-9061 ou [email protected]. Na UEPG, ligar para (42) 3220-3104 e na UFPR, (41) 3360-4158.


