UEL vai inaugurar usina de energia fotovoltaica
Universidade está prestes a inaugurar usina de energia fotovoltaica e faz estudos para uso de energia eólica e biogás
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Universidade está prestes a inaugurar usina de energia fotovoltaica e faz estudos para uso de energia eólica e biogás
Ana Elisa Frings - Estagiária* 

A UEL (Universidade Estadual de Londrina) está prestes a inaugurar uma usina de geração de energia fotovoltaica no campus, localizado na zona oeste. Placas instaladas sobre estruturas no estacionamento da Clínica Odontológica vão captar a luz solar e transformá-la em energia elétrica para consumo da universidade. As vigas em concreto que sustentam as placas foram produzidas na própria UEL, o que gerou economia de 70% do preço estimado para o serviço.
A implantação da usina faz parte de um "pacote" de ações para atingir maior eficiência energética, como substituição de lâmpadas fluorescentes pelo modelo LED e aparelhos de ar condicionado para versões mais modernas que consomem menos energia. Além disso, há estudos para uso de energia eólica e do biogás. O consumo de energia elétrica no campus equivale ao de 4.500 residências.
A usina fotovoltaica faz parte do Programa de Eficiência Energética da Aneel/Copel, para o qual a UEL foi selecionada em 2018 e deve receber R$ 3 milhões em investimentos para ações de eficiência energética no campus. Está também nos planos da UEL ser autônoma na produção de energia que consome em um prazo médio de 5 anos.
O programa lançado pela Copel em edital prevê que a instituição apresente um projeto de eficiência energética, que no caso da UEL terá o uso da energia fotovoltaica e o biogás, este último obtido a partir da biomassa gerada no Restaurante Universitário e na Fazenda Escola. Também está previsto o desenvolvimento de um projeto e implantação do biodigestor, a cargo de professores do departamento de engenharia civil, especialistas em saneamento e efluentes. O projeto prevê também que disciplinas relacionadas à eficiência energética sejam adotadas nas grades curriculares em cursos ligado à área.
NO ESTACIONAMENTO
As placas para captar energia solar serão instaladas para formar uma semicobertura no estacionamento, um modelo diferente da tradicional instalação em telhados. O chefe da divisão de controle e energia elétrica da prefeitura do campus, Marcelo Rodrigues, explica que esta foi a solução encontrada para evitar pontos de sombra e árvores que teriam que ser cortadas. “Além de procurar por área com maior incidência da luz do sol, há uma limitação nos telhados dos prédios no campus, que precisariam de uma adequação antes de receber o peso das placas. Outro ponto é que alterar as árvores causaria muito impacto", detalha. A produção da usina fotovoltaica deve atingir 15% da energia consumida no campus.
Outras medidas para atingir maior eficiência energética já foram tomadas, como a substituição de 9.600 lâmpadas fluorescentes para o modelo LED, tecnologia que tem mais durabilidade, menos manutenção e menos consumo energético: de 20 Watts para 6. Outras 4 mil lâmpadas devem ser trocadas em breve.
“Entre outras ações, foram trocados também aparelhos de ar condicionado para versões mais modernas que consomem menos energia, mas ainda timidamente", reforça. Medidores de energia serão instalados em mais pontos do campus, o que vai auxiliar no cálculo mais exato do consumo nos centros de estudo. “Hoje não conseguimos saber com exatidão onde está sendo consumido mais energia e isso dificulta na hora de tomar ações mais direcionadas para buscar reduzir o consumo, encontrar soluções mais eficazes para aparelhos, por exemplo. Ter mais medidores vai ajudar na análise mais precisa”, defende Rodrigues.
Destiladores de laboratório, usados para purificar a água gastavam 50 litros de água para produzir 1 litro de água limpa. Além do gasto energético. Foram trocados 40 destiladores por outros que consomem tanto menos água como menos energia elétrica.
NÚMEROS
A universidade abriga um público de 22.917 pessoas, entre professores, funcionários e alunos de todas as modalidades de ensino, segundo informações da Proplan (Pró-reitoria de Planejamento). São sete centros de estudos e 57 departamentos. Fisicamente o campus ocupa 150 hectares.O consumo de energia elétrica é de 723Mwh por mês. Uma residência londrinense consome em média 160 kWh em um mês. Ou seja, o que a instituição consome em um mês equivale ao de 4.500 residências. Em termos financeiros, a fatura paga pelo campus, numa média dos últimos 12 meses, foi de R$ 370 mil.
ARQUITETURA
O prefeito do campus da UEL e docente da área de planejamento urbano regional, Gilson Bergoc explica que as ações de melhoria para consumo energético no campus não estão somente nos projetos selecionados pela Copel em edital. “Temos dois grupos de trabalho que se dedicam a ações específicas. Um deles tem foco em manter o consumo racional de água e energia, principalmente no trabalho de conscientização da comunidade da UEL e divulgação das ações que já tomamos", explica.
"O segundo grupo, mais técnico, faz verificações em prédios para entender como a arquitetura e elementos interferem no consumo de energia. Como alguns prédios têm mais de 40 anos de construção, não havia todo o conhecimento para pensar em materiais mais adequados, posicionamento da construção e das janelas, cores, entre outros. Ao conhecer todas essas estruturas vai ser possível propor soluções mais adequadas.”, esclarece Bergoc.
OUTRAS FONTES
Além da usina fotovoltaica, que pode ser expandida futuramente para outras áreas da instituição, o prefeito do campus da UEL, Gilson Bergoc, conta que há estudos iniciados para uso de energia eólica no campus, já que a localização propicia um corredor de vento natural. “Aqui os ventos são acima da média da cidade, isso não seria problema, mas precisamos evoluir no estudo sobre qual turbina usar e quanto custaria todo o projeto, mas é uma ideia que temos em andamento também”.
O curso d´água localizado nos fundos da universidade seria também um potencial microgerador de energia por força hidráulica. “O declive natural poderia colaborar para usar a própria formação, sem precisar construir uma barragem ou outra intervenção maior. Seria mais uma fonte de energia limpa aqui mesmo no campus”, continua o prefeito do campus. Tal solução, porém, também requer avaliação mais detalhada sobre custo-benefício do empreendimento.
Outras opções avaliadas já precisaram ser postergadas pela questão do custo elevado para troca. Foi o caso da troca dos computadores por terminais remotos ligados a um servidor externo. A economia energética é relevante, porém o custo para compra de equipamentos ainda não é viável.
SEMINÁRIO
Em 24 de outubro, a UEL vai sediar um seminário para apresentar a finalização do projeto realizado com os recursos da Copel. Os resultados de economia em energia e também a evolução dos estudos de projeto de pesquisa para o biodigestor serão avaliados. O prefeito do campus tem a intenção de que a UEL seja uma referência para outras instituições de ensino, como pioneira nessas iniciativas de economia de recursos e consumo consciente.
“Nossa meta é receber o selo A de consumo do Procel [emitido pelo Centro Brasileiro de Informação de Consumo de Energia], mas ainda precisamos mais estudos e vai levar um tempo. Ainda assim, acho que a UEL pode vir a ser autônoma na produção de energia para consumo interno em um prazo médio, em torno de 5 anos”, revela.
Supervisão: Lucilia Okamura - editora Cidades


