Londrina
Uma cerimônia marcou, ontem à tarde, o início oficial da participação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no programa federal Alfabetização Solidária. O reitor Jackson Proença Testa abriu, oficialmente, o curso de capacitação dos primeiros 20 monitores - professores e técnicos em agropecuária - das cidades de Capela (Alagoas) e Poço Branco (Rio Grande do Norte).
As duas cidades foram ‘‘adotadas’’ pela UEL, que vai desenvolver o programa em parceria com o Governo Federal e a empresa Petróleos Ipiranga. A solenidade teve lugar na Sala dos Conselhos, no campus da UEL.
Os monitores chegaram na terça-feira e, durante três semanas, vão participar de aulas teóricas e práticas sobre a metodologia de alfabetização de jovens e adultos. A coordenadora do programa de Capela, a professora Solange Beggiato Mezzaroba, explica que os monitores vão estar trabalhando com jovens a partir dos 13 anos. As crianças, afirma, começam cedo a trabalhar no corte de cana, abandonando a escola. A cana de açúcar é uma das poucas fontes de renda para as famílias da cidade.
‘‘É importante deixar claro que estas pessoas só não sabem ler e escrever. Mas a vivência e o conhecimento delas muitas vezes superam o das pessoas letradas’’, diz Solange. O primeiro grupo de monitores formados pela UEL vai atender a 350 alunos, lecionando a noite. ‘‘O corte da cana começa às cinco horas da manhã e termina às oito da noite’’, comenta. Em Capela, os treze professores vão lecionar em duas escolas na zona urbana e quatro na zona rural. Sete monitores são de Poço Branco.
O trabalho dos monitores vai ser acaompanhado de perto pela universidade. Além de uma coordenador geral em cada cidade; as professoras da UEL responsáveis pelo programa: Solange Mezzaroba, responde por Capela e Lúcia Amaral do Hidalgo, por Poço Branco; vão estar avaliando o trabalho. Uma vez por mês as professoras vão estar na cidade durante uma semana, levantando os eventuais problemas, corrigindo e adequando a metodologia a realidade dos alunos e avaliando o progresso do trabalho.
O programa Alfabetização Solidária, acrescenta a professora, quer atingir de forma eficaz o alto índice de analfabetismo registrado em vários pontos do País, principalmente no nordeste. Lançado no começo deste ano com 38 cidades, o programa já atinge cerca de 100 cidades onde os índices de analfabetismo superam a casa dos 55% da população. As universidades entram com os recursos humanos e técnicos de formação e acompanhamento; o Governo Federal e iniciativa privada entram com os recursos financeiros.
Os monitores de Capela e Poço Branco começam a lecionar em agosto e o trabalho vai ser remunerado pela empresa Petróleo Ipiranga. Cada um vai receber um salário mínimo por mês (R$ 120,00). Em comparação: um professor municipal, em Capela, tem salário mensal de R$ 20,00. A duração do curso de alfabetização está prevista para cinco meses - após esse período começariam novas turmas.
Mas a professora Solange Mezzaroba adianta que Governo Federal, empresa e UEL já estudam a possibilidade de garantir a continuidade do curso para as turmas formadas. A professora Solange comenta: ‘‘Muitas pessoas questionam a participação da UEL nesses programas, alegando que temos problemas idênticos perto de nós que merecem prioridade. Talvez porque não sabem que a UEL atua em vários setores, inclusive na alfabetização de jovens e adultos da cidade e região’’.

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