UEL vai à Justiça contra grevistas
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quarta-feira, 05 de julho de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, entrou ontem no Fórum de Londrina com duas ações judiciais em decorrência da retomada da greve pelos funcionários, professores e alunos. Uma ação tem objetivo de garantir judicialmente a realização do Vestibular de Inverno e outra questiona a legitimidade da assembléia realizada terça-feira, na qual as três categorias votaram pela retomada do movimento.
O reitor está questionando a legitimidade da assembléia por considerar que ocorreram irregularidades na contagem dos votos e na sua convocação, que não teria sido feita de acordo com as exigências da CLT. Testa afirma que recebeu reclamações de professores por não terem sido realizadas assembléias por categoria. A assembléia que decidiu pelo retorno à greve foi unificada (professores, servidores e alunos).
O professor Kennedy Piau, do comando de greve, disse que todas as assembléias anteriores, inclusive a de 2 de junho, que deflagrou o movimento iniciado no dia 5, foram realizadas com a mesma metodologia (assembléia unificada, voto universal e verificação da votação por contraste), sem que a reitoria se manifestasse contrária.
Quanto às assembléias específicas, Piau salientou que foram realizadas nas três categorias e que foi a dos professores que decidiu pela assembléia unificada com aceitação dos funcionários e alunos. Sobre uma possível irregularidade na apuração da votação, Piau disse que dos 3.600 participantes com cartão para votar, a mesa calculou, por unanimidade, que entre 60% e 70% votaram a favor da greve.
O comando de greve, segundo ele estava preparado para o caso de haver alguma dúvida que não possibilitasse a verificação de votos por contraste (as pessoas levantam a mão e, visualmente, apura-se o resultado). Tínhamos 10 urnas e cédulas prontas para o caso de haver alguma dúvida na verificação dos votos. Por unanimidade, inclusive por parte daqueles que fizeram proposta contrária à greve, decidiu-se que não era necessário, afirmou Piau.
Outra questão levantada foi a de que pessoas de Maringá teriam votado na assembléia da UEL. Isto é mentira. Na mesma hora em que acontecia a assembléia na UEL, tinha uma assembléia em Maringá. Os ônibus que estavam no câmpus era do pessoal do HU, afirmou Piau.
A grande quantidade de alunos na assembléia de terça-feira (1.900) também está sendo questionada pelo reitor na ação judicial. Os funcionários tinham 1.250 representantes e os professores 450. Proporcionalmente, os professores estavam melhor representados já que em toda a UEL eles somam 1.600 e os alunos são 13 mil.
A estudante do 1º ano de jornalismo, Tati Costa, afirmou que não é possível dizer que foram os alunos que decidiram pela greve. Havia muitos estudantes que votaram contra. A posição dos alunos estava bem dividida, muitos pensavam apenas em não perder o ano, afirmou. O dia na UEL ontem foi praticamente sem atividades. O pipoqueiro Antonio Mosqueto, 52 anos, estava desolado com o calçadão vazio. Em dias de aula o calçadão estaria lotado de gente. Hoje a gente não vê ninguém.


