Atingida por uma sequência de polêmicas que envolveram os diversos segmentos da comunidade universitária, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) mergulhou numa espécie de ''inferno astral'' sem data para acabar. E a pergunta que fica é a seguinte: porque tanta turbulência e como elas interferem na instituição?
Uma das mais ferozes discussões foi provocada pelo plano de segurança proposto pela reitoria em junho de 2006, que prevê entre outras coisas o cercamento de parte da área e a presença ostensiva da Polícia Militar. A proposta não conta com a simpatia de estudantes e parte dos servidores. Mais recentemente, outros dois temas ajudaram a elevar a temperatura. Ainda pelo lado dos alunos, há a ferida relacionada à Casa do Estudante construída no campus, que foi inaugurada há um ano mas não pôde ser ocupada por falta de condições. Já a divulgação, neste mês, de imagens de médicos que estariam burlando o ponto-eletrônico no Hospital Universitário colocou profissionais de saúde contra a atual gestão.
Docente da UEL há 15 anos, a presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Inez Almeida, considerou que o amplo debate é saudável. ''Temos uma comunidade que questiona, pensa, aponta novas formas de se fazer as coisas. Preocupante é quando ninguém questiona'', opinou. Ela só reclamou que parte das polêmicas poderia ter sido resolvida internamente. ''As pessoas que se sentirem lesadas e aquelas que têm que tomar condutas administrativas precisam sentar, resolver as situações e dar uma resposta para as comunidades interna e externa'', completou.
Já o universitário Rodrigo Mortari, representante do movimento estudantil, avaliou que a UEL hoje tem ''reconhecimento fictício'' por falta de uma administração democrática. ''Faltou discussão sobre os pontos mais polêmicos'', criticou, pregando a união entre estudantes, servidores e professores. ''Internamente, há responsabilidades do Governo (em questões como a contratação de professores e melhoria salarial) e da reitoria (no caso do plano de segurança e da Casa do Estudante)'', completou o estudante. No ano passado, um grupo de universitários chegou a invadir e acampar na reitoria para pedir aumento de vagas na Casa do Estudante.
O reitor Wilmar Marçal, que assumiu o cargo em junho do ano passado para cumprir um mandato de quatro anos, rebateu as insinuações sobre divisão interna. ''De minha parte, não tenho nenhuma prerrogativa de racha'', afirmou. Ele considerou que as discussões sobre o plano de segurança foram amplas e lamentou que a audiência que seria realizada na UEL não aconteceu por causa da manifestação contrária de alunos. ''Reconheço o movimento estudantil como legítimo desde que se organize como tal'', alfinetou, numa alusão ao fato dos estudantes não terem representante no Conselho de Administração.
Marçal também falou sobre o embate com médicos do HU sobre o ponto eletrônico. ''Os que passaram o ponto e não trabalharam não representam uma amostragem do HU, que é formado em sua maioria por pessoas de bem. Mas temos que apurar (as irregularidades), porque é gasto de dinheiro público'', destacou. Sindicâncias serão abertas para apurar os fatos. Satisfeito e feliz com seu primeiro ano na reitoria, ele citou ''avanços'' como a redução dos gastos com combustíveis através de convênio feito com o Iapar, as compras feitas por pregão eletrônico, a criação da central de estágios e a consolidação do portal do estudante.
Em relação à Casa do Estudante, o reitor destacou o desafio de conseguir vaga para quase 40 alunos. Outra preocupação para o segundo semestre é com a campanha salarial dos docentes. ''Vamos amargar dias horríveis a partir de 1º de agosto, porque na UEM já há indicativo de greve. Os professores (novatos) ganham piso miserável de R$ 960,00 e alertei boa parte do Governo sobre a saída de doutores'', comentou. Uma proposta de abono de R$ 900,00, ''para equiparar com o piso dos funcionários'', foi enviada pela UEL há um mês mas não obteve resposta.
O diretor-superintendente do HU, Francisco Eugênio de Souza, foi procurado mas preferiu não se pronunciar. A representação dos servidores da UEL também foi procurada pela FOLHA mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

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