UEL tem primeiro estudante contemplado no Caminhos Amefricanos
Josué Godoy, do curso de História, participou de um intercâmbio em Moçambique; programa é uma iniciativa do governo federal
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quinta-feira, 31 de outubro de 2024
Josué Godoy, do curso de História, participou de um intercâmbio em Moçambique; programa é uma iniciativa do governo federal
Reportagem local 

A UEL (Universidade Estadual de Londrina) teve o seu primeiro estudante de graduação contemplado na seleção do programa Caminhos Amefricanos, cuja primeira edição, em setembro, levou um grupo de 50 universitários brasileiros a um intercâmbio de 15 dias em Moçambique, no sudeste do continente africano.
O programa Caminhos Amefricanos é uma iniciativa do Governo Federal voltada para estudantes dos cursos de licenciatura e professores da educação básica quilombola ou autodeclarados pretos ou pardos. O objetivo é promover trocas de experiências e conhecimentos em países do Sul Global visando o fortalecimento de uma educação antirracista.
Estudante do quarto ano do curso de História da UEL, Josué Godoy, 43, foi um dos 980 universitários brasileiros inscritos na primeira edição do programa, realizada na Universidade Pedagógica de Maputo (UP Maputo), na capital do país africano.
Lá, ele teve a oportunidade de participar de uma série de eventos e conferências reunidas na Semana Científica da UP Maputo. O evento reuniu os demais selecionados no programa para palestras com docentes, pesquisadores, representantes de órgãos públicos e personalidades, como o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto.
ENFRENTAMENTO AO RACISMODiante da oportunidade internacional, Godoy lembra que sua relação com a UEL teve início aos 38 anos, com o acesso por meio do sistema de cotas. “Sou um filho do sistema de cotas e tenho muito orgulho porque foi através desse sistema que pude acessar a universidade”, conta o estudante, que já atuou no Neab (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros) como colaborador e, atualmente, é bolsista de extensão.
Foi no Neab que Godoy passou a se envolver com o trabalho de enfrentamento ao racismo estrutural, o que o ajudou a ter um bom desempenho no processo seletivo no programa de intercâmbio. “O programa veio justamente ao encontro da necessidade de trazer oportunidade às pessoas negras do acesso a um intercâmbio internacional, visando a formação de novos professores que possam depois levar essa experiência em uma perspectiva de disseminar as questões étnico-raciais a partir da lei 10.639/03”, reforça.
ANCESTRALIDADE
Para muito além da oportunidade de formação, o estudante destaca um aspecto que pode atravessar a vida de mulheres, homens e pessoas trans negras de todo o mundo. Esse processo, conta Josué, envolve a busca pelo reconhecimento da própria ancestralidade. “Foi como retornar para casa”, diz.
A procura, no entanto, é bem mais duradoura e tem início muito antes da sua chegada à UEL. O despertar da sua curiosidade veio ainda no ensino fundamental, em uma escola de Bauru (SP), onde ele passou parte da sua infância ao lado dos seus seis irmãos.
“Nunca me passou pela minha cabeça fazer outra graduação que não fosse História”, decreta. “Fui incentivado por um anjo em forma de professora, a Maria Goreth. Ter gostado de História eu devo a ela, porém o que me impulsionava a fazer o curso era justamente poder resgatar a história não contada dos povos africanos, e eu entendi que uma das formas em que eu poderia não só contar, mas aprender sobre seria então fazendo o curso. Acredito que a maior motivação é justamente resgatar a história não contada dos meus ancestrais”, detalha.
Godoy teve as despesas custeadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), responsável pela coordenação do programa ao lado da Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão), do Ministério da Educação, e do Ministério da Igualdade Racial.
O estudante também faz questão de agradecer o apoio recebido pelas professoras Marleide Rodrigues da Silva Perrude (Departamento de Pedagogia/Neab); Andréa Pires Rocha (Departamento de Serviço Social) e Viviane Aparecida Bagio Furtoso, da Assessoria de Relações Internacionais (ARI).
(Com informações da Agência UEL)


