UEL suspende vestibular de julho
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
A Universidade Estadual de Londrina suspendeu o vestibular de inverno que deveria ser realizado em julho do ano que vem. A decisão foi tomada ontem pelos conselhos de Administração (CA) e de Ensino, Pesquisa e Extensão e Pesquisa (CEPE). A suspensão atinge o segundo maior vestibular do Estado, cuja última edição contou com 27.794 inscritos. O concurso de inverno voltou a ser realizado em 1996, já no sistema seriado.
Um colegiado composto por diretores de centro e chefes de departamento, além de coordenadores de pós-graduação, decidiu pela não realização do vestibular. Votaram 47 pessoas, todas favoráveis.
Integrantes do colegiado garantiram à Folha que o fato não está relacionado com a crise política desencadeada a partir de denúncias de superfaturamento em anúncios publicitários para o vestibular de verão de 1997, nem mesmo com o precedente aberto com a proibição do vestibular de inverno da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), determinada pelo Ministério Público de Cascavel.
A explicação oficial da decisão é o fim da participação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na elaboração das provas, o que ocorre desde o vestibular de julho do ano passado. Antes, os testes eram formulados pela Fundação Carlos Chagas, de São Paulo.
A UFPR, que renovava o convênio com a UEL a cada seis meses, deixa de repassar know-how após o vestibular de verão de 2002. A partir de janeiro de 2003, as provas serão totalmente elaboradas pela UEL, que adotará um modelo analítico-reflexivo no conteúdo das questões, mas manterá o modelo de múltipla escolha.
Há três anos começamos a pensar e debater um novo vestibular para a universidade. A participação da Federal neste período de transição foi muito importante. Mas agora, o modelo que escolhemos está um pouco distante da experiência da Federal e decidimos buscar uma autonomia completa na concepção das provas, justificou Bianco Zalmora Garcia, diretor de apoio de ação pedagógica da Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação e diretor pedagógico da Comissão de Seleção Permanente (Copese), um dos principais integrantes do colegiado.
Garcia explicou que o vestibular de inverno do próximo ano se inviabilizou porque o tempo de preparo para o concurso é de pelo menos um ano. Não poderíamos manter a mesma fórmula para o próximo ano sob o risco de não avançarmos rumo à autonomia. Se tentássemos fazer as duas coisas, acabaríamos sufocados com tanto trabalho. Foi uma medida de bom senso, avaliou.
A partir de agosto, devem ser iniciadas as obras do prédio-cofre que viabilizará o vestibular autônomo. O complexo será erguido ao lado da reitoria e funcionará como um centro de isolamento, com acesso restrito, para a elaboração e correção das provas. Calculando construção e implantação de equipamentos, a universidade gastará cerca de R$ 600 mil.
O concurso de janeiro de 2003 será em apenas três dias. No primeiro dia, ocorrerá a prova de Português. No segundo, haverá uma prova interdisciplinar. No terceiro, uma prova específica, com a escolha de duas disciplinas a cargo do colegiado do curso.


