O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiu ontem suspender o Vestibular de Verão de 2002, que seria realizado de 6 a 9 de janeiro. A decisão foi tomada durante reunião no anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas. Ela foi aberta ao público e acompanhada por um grande número de professores, servidores e estudantes. A suspensão foi uma reivindicação do comando de greve dos docentes e funcionários da UEL. A paralisação na universidade completou um mês esta semana.
Apesar da suspensão do vestibular, as inscrições ainda podem ser feitas nas agências da Caixa Econômica Federal até o dia 19 de outubro ou pela Internet até 21 de outubro. Mas elas não serão processadas pela Comissão Permanente de Seleção (Copese). A homologação das inscrições voltará a ser feita quando o governo do Estado negociar com os grevistas. A definição da data do vestibular também dependerá das negociações. Se isso acontecer em breve, o conselho acredita que poderá até ser mantida a data das provas.
O reitor interino Pedro Gordan, que coordenou a reunião, impediu que os grevistas se manifestassem através de aplausos ou vaias, porque acreditava que essa atitude intimidaria os conselheiros. Mesmo assim, o pessoal encontrou um jeito de aclamar as pessoas que defendiam a paralisação, adotando o aplauso da linguagem dos deficientes auditivos (levantar e agitar as mãos).
Os conselheiros chegaram a um impasse quando solicitados que a universidade entrasse com uma medida judicial exigindo que o Estado libere verba para complemetar o salário dos funcionários, que ainda não foi pago. Antes do conselho tomar uma decisão, o reitor pediu parecer de diferentes advogados.
Apesar do calendário escolar não ter entrado na pauta, o assunto era a preocupação de estudantes. Para o reitor Pedro Gordan, não há ameaça porque o ''ano escolar não acompanha o ano civil'' e as aulas perdidas poderão ser recuperadas no período de férias (de dezembro a fevereiro). O professor Kennedy Piau, do comando de greve, porém, avisa que a reposição só será feita se o Estado acertar os dias parados. ''Se o governo não pagar, não haverá reposição das aulas e os alunos perderão o ano letivo'', afirma. ''Não queremos essa situação. Mas isso depende mais do governo do Estado.''
Quanto ao Hospital Universitário (HU), Pedro Gordan garantiu que não vai admitir o fechamento das portas. O reitor reúne-se hoje de manhã, em Curitiba, com o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig. O secretário já ameaçou entrar com medida judicial para garantir o direito dos candidatos ao vestibular.

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