O relatório da comissão de sindicância instaurada para apurar a queda de uma marquise que matou duas pessoas e feriu mais de 20 na Universidade Estadual de Londrina (UEL), divulgado ontem, confirmou a existência de ''falhas graves'' no projeto estrutural e na execução da obra.
Durante explanação que durou uma hora e meia, o professor do departamento de Construção Civil da UEL, Vítor Faustino Pereira, apresentou todos os dados. O relatório de quase 600 páginas descarta a hipótese de que o colapso estrutural da marquise seria decorrente do acúmulo de água, embora tenham sido confirmados vários sinais de infiltração. ''A estrutura já estava fragilizada, mesmo sem a presença de água'', garantiu Pereira.
''Havia falhas bastante graves no projeto, que foram agravadas com as falhas na execução. O projeto não era claro e a obra não foi executada com as dimensões previstas'', concluiu. Entre a série de erros, ficaram constatados a inadequação dos pilares para sustentar a carga horizontal da marquise e problemas no alojamento da ferragem interna da estrutura de concreto. Ainda de acordo com o professor, a marquise já apresentava deformações no momento da construção.
A reitora declarou que irá disponibilizar o relatório para a Polícia Civil e o Ministério Público (MP) para que tomem as medidas cabíveis. ''Na esfera cível, a UEL vai processar os responsáveis por danos materiais e, principalmente, por danos morais, porque nossa imagem foi extremamente prejudicada'', asseverou.
Questionada se faltou acompanhamento do projeto e da execução da obra por parte de profissionais da própria universidade, Lygia disse que a questão será apurada em uma nova sindicância interna. ''A primeira foi apenas para descobrir as causas do acidente. Só agora vamos apurar falhas na questão administrativa'', observou.
O coordenador da Câmara de Engenharia Civil do Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura (Crea), Francisco José Ladaga, disse que concordou com as conclusões do relatório da UEL, mas que é cedo para afirmar se houve imperícia por parte dos profissionais responsáveis pela obra. ''Precisamos analisar o contexto e ouvir a defesa dos envolvidos. Vamos aguardar os laudos da polícia técnica para abrir um processo'', ponderou. O Instituto de Criminalística (IC) e o Instituto Médico Legal (IML) devem apresentar seus relatórios ainda nesta semana.

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