UEL recebe R$ 7 mil em 2 anos
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sábado, 03 de maio de 1997
Da Redação 
Warren NabucoScarmínio: demanda reprimidaDe 94 a setembro de 96, a Universidade Estadual de Londrina recebeu do Governo do Paraná apenas R$ 6.933,00 para desenvolver seus projetos de pesquisa. Não fossem os R$ 125.782 repassados pela própria UEL ou os R$ 223.367,00 de fontes externas, provavelmente a grande maioria dos cientistas da Universidade não teriam tirado seus projetos da gaveta.
Os dados são da Coordenadoria de Pós-Graduação da UEL e demonstram a necessidade urgente da aprovação do projeto de lei que regulamenta as verbas para a pesquisa, diz Jair Scarminio, coordenador do órgão. Ele acha que o ideal seria o repasse dos 2% diretamente para a Fundação Araucária, mas reconhece que 30% desta verba para a fundação é um dos maiores avanços que conseguimos.
Jair Scarminio explica que é grande a demanda reprimida de projetos de pesquisa na UEL. Muita gente nem coloca a sua idéia no papel quando leva em conta as dificuldades para captar recursos, lamenta. Hoje, estão cadastradas no CPG 283 pesquisas em andamento contando com o envolvimento direto de 466 professores. Mas o número pode ser maior porque, segundo Scarminio, nem todas os projetos são cadastrados na coordenadoria.
O coordenador do CPG está confiante na regulamentação do projeto que define os 2% da arrecadação tributária do Paraná para a pesquisa. A história vai ser dividida em antes do 205 (artigo) e depois do 205, comenta.
Scarminio reconhece que não basta o Estado investir apenas em bolsas para pesquisa sem dar infra-estrutura - principalmente laboratórios bem equipados. Nós teríamos condições de ter aprovado muitos projetos grandes, com fontes externas, se tivéssemos infra-estrutura, explica. O diretor de pesquisa do CPG, Raúl Jorge Hernan Gómez, lembra que a Fundação Ford aprovou recentemente um projeto na área de educação de R$ 130 mil.
Mas o afastamento de grandes financiadores externos não é o único problema gerado pela falta de laboratórios bem equipados. Sem infra-estrutura, os pesquisadores da UEL estão indo para universidades federais ou de outros Estados. Nós formamos alunos que vão pesquisar em outras instituições.
Na opinião de Scarminio, o Governo do Paraná não tem clareza do pontencial dos pesquisadores disponíveis nas universidades estaduais. A saída de pesquisadores não se dá apenas por causa do salário, mas também por insatisfação por não conseguir desenvolver uma pesquisa.
(Adriana De Cunto)


