Warren NabucoScarmínio: demanda reprimidaDe 94 a setembro de 96, a Universidade Estadual de Londrina recebeu do Governo do Paraná apenas R$ 6.933,00 para desenvolver seus projetos de pesquisa. Não fossem os R$ 125.782 repassados pela própria UEL ou os R$ 223.367,00 de fontes externas, provavelmente a grande maioria dos cientistas da Universidade não teriam tirado seus projetos da gaveta.
Os dados são da Coordenadoria de Pós-Graduação da UEL e demonstram a necessidade urgente da aprovação do projeto de lei que regulamenta as verbas para a pesquisa, diz Jair Scarminio, coordenador do órgão. Ele acha que o ideal seria o repasse dos 2% diretamente para a Fundação Araucária, mas reconhece que 30% desta verba para a fundação ‘‘é um dos maiores avanços que conseguimos’’.
Jair Scarminio explica que é grande a demanda reprimida de projetos de pesquisa na UEL. ‘‘Muita gente nem coloca a sua idéia no papel quando leva em conta as dificuldades para captar recursos’’, lamenta. Hoje, estão cadastradas no CPG 283 pesquisas em andamento contando com o envolvimento direto de 466 professores. Mas o número pode ser maior porque, segundo Scarminio, nem todas os projetos são cadastrados na coordenadoria.
O coordenador do CPG está confiante na regulamentação do projeto que define os 2% da arrecadação tributária do Paraná para a pesquisa. ‘‘A história vai ser dividida em antes do 205 (artigo) e depois do 205’’, comenta.
Scarminio reconhece que não basta o Estado investir apenas em bolsas para pesquisa sem dar infra-estrutura - principalmente laboratórios bem equipados. ‘‘Nós teríamos condições de ter aprovado muitos projetos grandes, com fontes externas, se tivéssemos infra-estrutura’’, explica. O diretor de pesquisa do CPG, Raúl Jorge Hernan Gómez, lembra que a Fundação Ford aprovou recentemente um projeto na área de educação de R$ 130 mil.
Mas o afastamento de grandes financiadores externos não é o único problema gerado pela falta de laboratórios bem equipados. Sem infra-estrutura, os pesquisadores da UEL estão indo para universidades federais ou de outros Estados. ‘‘Nós formamos alunos que vão pesquisar em outras instituições’’.
Na opinião de Scarminio, o Governo do Paraná não tem ‘‘clareza’’ do pontencial dos pesquisadores disponíveis nas universidades estaduais. ‘‘A saída de pesquisadores não se dá apenas por causa do salário, mas também por insatisfação por não conseguir desenvolver uma pesquisa.’’
(Adriana De Cunto)

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