UEL recebe alunos de escolas públicas
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terça-feira, 01 de maio de 2007
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Estudantes de segundo grau participando de projetos de pesquisa dentro da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tendo a chance de conhecer melhor os cursos e até descobrir uma profissão em nível técnico. Esses são alguns dos resultados obtidos com o projeto de Iniciação Científica Junior (ICJ), que seleciona os melhores estudantes do segundo e terceiro ano do ensino médio de colégios públicos para participar, durante um ano, de projetos de pesquisa desenvolvidos por mestrandos e doutorandos, sob a supervisão de orientadores.
O diretor de pesquisa da UEL, professor Edison Miglioranza, diz que os resultados têm sido muito bons. ''Os estudantes acabam optando pelo curso que desejam com muito mais certeza, outros partem para a área técnica e a universidade se integra ainda mais à comunidde.'' Miglioranza explica que este é o terceiro ano do projeto, mas as vagas ainda são poucas porque dependem da disposição dos professores-pesquisadores em oferecer os estágios. Este ano são 35 participantes que recebem uma bolsa de R$ 100 mensais paga pela Fundação Araucária, financiadora do ICJ.
Rosane Maria dos Anjos, 37 anos, estudante do Colégio Rina Francovig, participou do ICJ até o início deste ano. O desempenho foi tão bom que ela obteve, com a ajuda dos professores, estágio em uma empresa particular em laboratório similar ao que atuava na UEL. ''Sempre falo para os meus colegas que se tiverem oportunidade de participar aproveitem porque pode abrir portas.'' Rosane diz que pretende se qualificar ainda mais e continuar a trabalhar na área.
A intenção do diretor do Centro de Ciências Agrárias, Hideaki Wilson Takahashi, ao entrar no projeto, foi contribuir com a sociedade, mostrar a realidade da UEL e despertar o interesse dos estudantes de segundo grau pela instituição. Segundo Takahashi, Rosane surpreendeu e auxiliou bastante em várias etapas das pesquisas. ''A experiência foi tão boa que pretendo continuar oferecendo vagas.''
Weslei Andrade Bomfim, 15 anos, do Colégio Albino Feijó Sanches, está no laboratório de virologia desde de setembro do ano passado e já pensa em prestar vestibular na área. Weslei diz que foi sem saber direito como era, mas precisava de carga horária complementar porque faz curso técnico. Mas hoje ele percebe que a experiência é muito boa porque tem a chance de aprender mais que na escola, além da oportunidade de saber um pouco mais sobre a área. ''A única coisa que poderia melhorar um pouco é o valor da bolsa, não dá para fazer quase nada, gasto metade do dinheiro em passe para ir e voltar da UEL, mas vale a pena.''
O professor Carlos Nozawa, que orienta Weslei no laboratório, também está satisfeito. Atualmente ele tem três estudantes de segundo grau estagiando e admite que na primeira vez que participou, além de ficar um pouco assustado, subestimou a capacidade dos alunos. ''Os estudantes passam por uma seleção nas escolas antes de virem para cá e têm grande interesse em aprender. E a função do professor é ensinar, é esse o nosso único trabalho.''


