UEL realiza estudo sobre aterro
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A análise das condições do aterro municipal, que está sendo realizada por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), poderá apontar alguns parâmetros para o monitoramento futuro do local e a construção do novo aterro, com início previsto para este ano. Na área compreendida pelo atual aterro e adjacências, na Zona Leste, os pesquisadores perfuraram 11 poços para monitoramento da água e outros 12 pontos, de diferentes profundidades, para coleta de amostras de solo.
''No caso do atual aterro, que é inadequado desde a escolha do local, os resultados da pesquisa poderão servir para mitigar os efeitos que ele continuará exercendo sobre o meio ambiente nos próximos 20 anos'', explicou a a professora da área de saneamento da UEL Sandra Márcia Cesaro da Silva. Segundo ela, o objetivo do estudo é desenvolver uma metodologia de análise que possa ser aplicada em outros aterros, permitindo avaliar o impacto ambiental dessas obras.
De acordo com Sandra, as averiguações feitas até agora indicaram a existência de uma 'pluma' de contaminação na direção do Córrego Periquito. ''É como se o chorume fosse canalizado diretamente para o córrego, de maneira constante'', observou.
O grupo responsável pela pesquisa teve permissão do município e dos proprietários de áreas próximas ao aterro para perfurar os poços, que permanecerão no local mesmo após a conclusão dos trabalhos. Eles poderão ser usados para futuros monitoramentos, de acordo com Sandra. O relatório final do estudo deverá ser entregue no fim do ano. Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com investimento de R$ 140 mil, o estudo envolve os departamentos de química, geociências e construção civil.
Alvo de polêmica, o novo aterro sanitário não deve ser construído antes da entrega do relatório. Na próxima semana, terá início uma rodada de audiências públicas, onde serão debatidas as escolhas preliminares de áreas para implantação do aterro. As reuniões serão realizadas nos locais pré-selecionados. A primeira delas, no dia 7, será no Distrito de Maravilha. Nos dias 14 e 21, as discussões se concentram no Patrimônio Três Bocas e na Colônia Coroados, ambos na Zona Sul.
A diretora de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Rosimeri Suzuki, explicou que essa rodada de reuniões é uma preparação para a audiência pública que deverá ser convocada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Só depois dessa última audiência é que o IAP irá dar um parecer sobre a concessão da licença prévia de instalação do aterro.
Em relação ao atual aterro, Rosimeri admitiu que existe um passivo ambiental que remonta à época em que não eram feitas a dragagem e o tratamento do chorume, mas afirmou que a situação, hoje, está controlada. ''Não há contaminação direta do córrego porque o chorume passa pela estação de tratamento'', argumentou. Ela acrescentou que o monitoramento do local será feito em parceria pelo município e pesquisadores de universidades.


