UEL quer combater evasão escolar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de setembro de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Um dado preocupante: dos 14.036 alunos inscritos na Universidade Estadual de Londrina (UEL) 1.400 (9.8%) desistiram das vagas até o segundo ano do curso. O número fez com que a Pró-Reitoria de Graduação se mobilizasse no sentido de orientar os universitários através do Projeto Profissão Certa. Lançado ontem de manhã, o projeto prevê um acompanhamento psicológico dos estudantes. A evasão é um problema que preocupa outras instituições estaduais (leia mais nesta página).
O atendimento será direcionado principalmente a universitários do primeiro e segundo anos de graduação, que têm procurado com frequência o setor para falar da insatisfação com os cursos. ''Eles reclamam da dificuldade de acompanhamento e de não estarem gostando'', afirma a pró-reitora Maria Aparecidada Vivan de Carvalho, responsável pelo projeto. ''Em alguns casos, alunos do quarto ano, quase concluindo o curso, nos procuram para falar da preocupação com o futuro profissional.''
De forma global a evasão na UEL é de 9.8%. Desse total, a desistência é maior no cancelamento de cursos (70%). Nessa situação, alguns estudantes prestam novos vestibulares dentro da própria instituição. O índice é seguido pelo abandono do curso (20%). Neste caso a UEL desconhece os motivos da desistência. Os outros 10% de evasão são referentes a transferências externas. Os cursos que mais preocupam os professores na UEL, são os de Física e Ciências Sociais (30% de evasão), Química (20% de evasão), Fisioterapia (12,5% de evasão) e História (12% de evasão).
De acordo com Maria Aparecida, o próximo passo é acompanhar a orientação nas escolas. ''Precisamos saber o que tem deixado os alunos tão inseguros nas universidades. Talvez a orientação tenha que ser mais aprofundada para que eles conheçam melhor o curso e a área de atuação.''
Pais
A idéia inicial, de acordo com a coordenadora do Programa, a psicóloga Ingrid Caroline de Oliveira Ducec, é fazer com que o aluno entre em contato com o Prograd para fazer a reclamação. A partir daí, serão realizados três ou quatro encontros individuais. Só depois será desenvolvido um trabalho em grupo. ''Queremos identificar o problema e trabalhar com outras pessoas que têm a mesma dificuldade. Quanto mais troca de idéias, mais rápido se resolve o problema.''
Em caso de necessidade, os pais dos estudantes serão chamados para participar dos encontros. ''Temos muitas situações em que os pais exigem que o filho faça determinado curso.''
Outra situação, de acordo com a psicóloga, é a grande oferta de cursos para os alunos. ''Os estudantes não conseguem se aprofundar nas informações e acabam escolhendo profissões sem conhecer, sem saber qual o campo de atuação'', afirma. ''Faremos uma reflexão das variáveis que levam à insatisfação e vamos orientar o aluno a chegar a uma decisão e tomá-la''.
Paciência
André Demambre Bacchi irá se formar em Farmácia em 2009. Ele afirmou que teve insegurança logo no começo do curso, apesar de ter buscado antes informações sobre a profissão. Segundo ele, o interesse pela área de produção de medicamentos se perdeu logo no começo do curso. ''Fiquei um pouco decepcionado mas não cheguei a pensar em desistir. Tive paciência e descobri outra área, a de análises clínicas, que pretendo seguir'', informou. ''Acho que entramos sem maturidade para escolher a profissão e as dúvidas aparecem depois. No meu caso consegui descobrir um caminho''.


