Imagem ilustrativa da imagem UEL ofertará curso pré-vestibular na penitenciária de Londrina
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Seis anos atrás, os internos da PEL (Penitenciária Estadual de Londrina) 2 tiveram aulas preparatórias para o vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina) “e os resultados foram surpreendentes”, segundo o diretor da unidade, Emerson das Chagas. Agora, tanto a PEL 2 quanto a universidade querem repetir tal experiência. “Tivemos um número expressivo de presos que passaram no vestibular de 2013 e alguns começaram, com autorização da VEP (Vara de Execuções Penais), a frequentar cursos na universidade. Esse ano procuramos novamente a UEL para auxiliá-los no acesso à universidade”, afirma.

As aulas do CEPV (Cursinho Especial Pré-Vestibular) estão previstas para iniciar na primeira semana de julho e atenderão 50 apenados que possuem ensino médio. De acordo com Chagas, foi feita uma classificação dos internos, com prioridade para aqueles que estão na UP (Unidade de Progressão), ou seja, que se preparam para o regime semiaberto. Também foram consideradas questões disciplinares e tempo de pena cumprida.

“Temos as metas de escolarização e trabalho do Departamento Penitenciário, mas isso vai além. Estamos 'devolvendo' à sociedade uma pessoa melhor e com mais condições de viver, trabalhar e estudar”, ressalta.

Atualmente, 80 homens estão incluídos na UP, mas Chagas acredita que esse número poderá aumentar para 120 nas próximas semanas. Esse mesmo número representa a quantidade de internos que possuem ensino médio na PEL 2. “Vamos conseguir preencher todas as vagas”, completa.

As atividades acontecerão de segunda a quinta-feira, das 14 às 17h, e serão ministradas por três grupos de oito monitores do CEPV, que são estudantes de diferentes cursos de graduação da UEL. Todos receberão bolsas para a função e participaram de um processo de seleção pública.

A pró-reitora de Extensão, Cultura e Sociedade da UEL, professora Mara Solange Gomes Dellaroza, explica que o conteúdo abordará as disciplinas de português, sociologia, redação, matemática, física, química, filosofia, artes, história, biologia, geografia e espanhol, mas os alunos também terão simulados, testes e aulas de preparação de texto. Todo o material é do cursinho da UEL.

“O projeto cumpre dois objetivos que são dar grandes chances desses apenados de sonhar em cursar uma universidade e se sentirem respeitados pela comunidade, e oportunizar uma preparação pedagógica aos monitores. É uma capacitação técnica e humana, pois terão proximidade com uma população que muitas vezes é julgada, excluída e marginalizada das possibilidades de inclusão”, comenta Dellaroza.

Ao todo, serão 24 semanas de aulas (de julho a novembro) de preparação para o Vestibular 2020 da UEL. Chagas diz que cada 12 horas/aula corresponde a um dia a menos de pena, e caso os apenados tenham êxito no vestibular, a situação será encaminhada ao Juiz da Vara de Execuções, que pode autorizar a saída para as aulas na universidade, com monitoramento.

'PRIORIDADE É EDUCAÇÃO'

A viabilidade do CEPV (Cursinho Especial Pré-Vestibular) na PEL 2I se deu pela atuação do Conselho da Comunidade de Londrina. “Entramos com aporte financeiro porque nossa prioridade é a educação e profissionalização”, comenta o presidente Reginaldo Peixoto.

O Conselho da Comunidade é um órgão da Execução Penal que surgiu em 1997 em Londrina para auxiliar nos processos de redução penal nas penitenciárias. Além de criar projetos, busca dar suporte aos presos nas áreas de psicologia, assistência social e saúde por meio de convênios com universidades, entidades e clínicas.

“Esse dinheiro vem do Poder Judiciário através de multas aplicadas em medidas alternativas e também de juízos especiais. Nossa missão então, é criar esses projetos e com a aprovação do Tribunal de Justiça, dar uma destinação para essa verba”, explica Peixoto, que reativou o conselho há quatro anos.

LEITURA

Para o diretor da PEL 2, Emerson das Chagas, "é pela educação que vamos conseguir transformar aqueles que estão na Unidade de Progressão para um retorno na sociedade”. Sendo assim, ele cita também o programa de remissão por leitura. O projeto acontece há cerca de cinco e a cada livro que o interno lê e apresenta uma resenha, a pena é reduzida em 48 horas.

Ainda de acordo com ele, dos 1.240 apenados da unidade penitenciária, cerca de 500 participam de aulas do ensino básico, fundamental e médio pelo CEEBJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos). Em relação ao ensino superior, atualmente 30 presos frequentam a universidade, sendo a maioria na UEL e que cumpre pena no Creslon (Centro de Reintegração Social).

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