UEL mantém data do vestibular
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segunda-feira, 18 de março de 2002
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Contrariando uma sugestão do governador Jaime Lerner (PFL), os 48 membros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiram ontem, por unanimidade, manter o calendário do vestibular de 2002. O processo seletivo ocorrerá entre os dias 29 de abril e 3 de maio e não de 1º a 5 de maio, como queria o governo do Estado.
O vestibular da UEL, que deveria ter acontecido no início de janeiro, foi adiado por causa da paralisação dos docentes e servidores das universidades estaduais, que durou 169 dias. No início de março, os conselheiros já haviam deliberado sobre o calendário do vestibular.
Entretanto, na última quinta-feira, a secretária estadual de Educação, Alcyone Saliba, afirmou que não iria ceder as salas das escolas públicas estaduais porque, como guardiã das criancinhas, não poderia deixar que os alunos da rede estadual perdessem dias letivos. Diante do mal estar gerado com a decisão, na sexta-feira Lerner anunciou que cederia as escolas se a UEL alterasse a data do vestibular, de forma a coincidir com o feriado de 1º de Maio, Dia do Trabalho.
Ontem, o Cepe definiu que não alteraria a data acertada pelos conselheiros no início de março. Primeiro, porque o governo teria de liberar as salas dois dias antes do início das provas, o que não estava previsto. Os conselheiros também levaram em conta que a data aprovada pelo Cepe já havia sido divulgada nacionalmente, o que poderia gerar confusão.
Uma terceira ponderação do Cepe foi que, com o apoio recebido da comunidade externa, a universidade conseguiu locais alternativos para alocar os mais de nove mil candidatos que fariam as provas nas escolas da rede estadual de ensino. Ao todo, são 19 mil candidatos.
Mesmo diante dessa decisão, o reitor da UEL, Pedro Gordan, assegurou que não existe clima ruim entre a instituição e o governo. Pretendemos apelar ao governador que nos ajude a manter a qualidade do ensino e a imagem da UEL, afirmou, completando que ainda irá tentar negociar a cessão das salas das escolas estaduais, pois são os melhores locais para realização das provas.
Para colocar em prática o plano B do vestibular - uso de locais alternativos para abrigar os candidatos - uma comissão da UEL já visitou diversos prédios, tais como Centro de Eventos de Londrina, Shopping Catuaí, Armazém da Moda, Sociedade Rural do Paraná, Colégio Nobel. O único empecilho é que esses locais não possuem carteiras para todos os candidatos. Ao todo, segundo Gordan, faltam perto de cinco mil carteiras.
Para resolver o problema, a UEL pensa até em comprar cadeiras novas, o que geraria um custo de cerca de R$ 160 mil. Mas a idéia do reitor é fazer uma grande campanha pedindo carteiras para serem usadas no vestibular. Até o final da semana, segundo Gordan, a UEL deverá ter resolvido mais esse impasse e os candidatos começarão a ser informados sobre os locais de prova.


