UEL investiga se houve fraude em exame
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sexta-feira, 30 de maio de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Puppato, nomeou ontem uma comissão de sindicância, composta por três professores, para averiguar possíveis irregularidades contidas no resultado do curso de direito do Exame de Seleção para candidatos às vagas ofertadas para transferência externa nos cursos de graduação da instituição. Apesar da reitora não confirmar, existem suspeitas de que tenha ocorrido fraude na realização da prova. A comissão terá um prazo de 15 dias para apresentar o resultado da análise.
Puppato explicou que a decisão de nomear a comissão foi tomada, anteontem, durante reunião com membros da Comissão Permanente de Seleção (Copese) e do Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). Ela disse que será realizada uma rigorosa averiguação no resultado de direito para preservar a credibilidade, a igualdade e transparência do processo. O curso de direito teve 486 candidatos inscritos, disputando 27 vagas em três séries.
O diretor pedagógico da Copese, Luís Rogério Oliveira da Silva, disse que durante a análise dos resultados foi constatada uma ''discrepância'', ou seja, uma grande diferença nas notas obtidas pelos candidatos do curso de direito, em relação aos candidatos que pleitearam um dos outros 36 cursos que ofereceram vagas no Exame. Ele completou que a média obtida na prova de direito foi muito superior à alcançada nas demais provas.
Oliveira acrescentou que solicitou a intervenção da reitoria, pois a Copese não possui mecanismos que lhe permitam identificar os motivos que levaram a existência de uma diferença entre direito e os demais cursos. Ele garantiu que não recebeu qualquer denúncia de que tenha, realmente, ocorrido uma fraude na prova. ''A comissão terá condições de responder a essa pergunta'', disse.
A Copese divulgou na última terça-feira o resultado do Exame de Seleção de 36 cursos, cujas provas foram realizadas no dia 18 de maio. Somente o resultado de direito não foi homologado. Dos cursos que tiveram inscritos, o índice de aproveitamento foi de 43%. Essa foi a primeira vez que a UEL realizou um processo seletivo de transferência aplicando uma prova de múltipla escolha. Anteriormente, a escolha dos candidatos era feita através de análise curricular. A reitora não acredita que o adiamento na homologação do resultado desse curso colocará em dúvida a lisura do processo. ''Podemos pecar pelo excesso de zelo, mas não por omissão'', ressaltou.
Além dos professores, que não terão seus nomes divulgados, a comissão contará com o acompanhamento de três advogados designados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e por um representante do Ministério Público. A comissão poderá, entre outros, convocar para depoimento professores que participaram da elaboração da prova e candidatos que obtiveram notas mais altas.
O presidente da OAB, Lauro Zanetti, observou que direção da entidade decidiu aceitar o convite da reitoria, por considerar que estará contribuindo para comprovar a transparência do trabalho a ser desenvolvido pela comissão.


